Uruará quase passa em branco

Saimos de Medicilândia e fomos pra Uruará. Chegamos lá e fizemos plantão na casa do prefeito. Nossa idéia era realizar uma sessão de cinema por lá e depois seguir viagem para Itaituba, aonde encontraríamos a Melissa e o Jeromé.

Na casa no prefeito o Marcos ficou cerca de duas horas e meia esperando para ser atendido. Enquanto isso eu fui para a lan house atualizar o blog.

Depois de muito esperar o Marcos conseguiu ser atendido. Estava um calor danado. Do lado de fora da casa um mar de gente. Até que tivemos sorte. O Marcos saiu de lá com um sim meio xôxo (é assim mesmo que se escreve? Que falta faz o dicionário!). O prefeito de Uruará se interessou mesmo foi pela nossa tela, mas essa não foi uma proposta que nos interessou. Nada resolvido e tudo adiado, resolvemos dormir por lá e ver no que daria.

No dia seguinte a mesma maratona, mas ao final da tarde saimos com uma resposta positiva. Iríamos realizar uma sessão no 140. Cerca de 50 km voltando para Medicilândia.

Em Uruará ficamos no hotel Dallas, recomendado pelo Bil de Altamira. Também por causa de Altamira conhecemos o Wiilson e o Carlos, que são moradores de Uruará. O Carlos encontramos apenas rapidamente um pouco antes da sessão. Ele havia nos convidado para “pousar” na fazenda dele, mas devido à correria tivemos que ir direto para a cidade. Ironia do destino, a sesão foi há cerca de 14km da fazenda.

O Wilson encontramos na Secretaria de Educação. Ele trabalha lá. Ficamos de conhecer as cavernas e as cachoeiras de Uruará juntos, mas acabou não dando tempo também.

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De Uruará seguimos para Rurópolis…..No caminho há uma cidade chamada Placas. Acho que tem esse nome pois é a única cidade do trecho na qual a 230 tem curvas sinuosas e placas de sinalização.

Chegamos em Rurópolis à noite, por volta das seis. No posto disseram que há 30 km de lá havia caído uma ponte e que não dava para passar.

Decidimos dormir por lá. Na manhã seguinte saimos cedo. Ou melhor! Na hora certa. Chegamos no “bueiro” na hora que o pessoal do DNIT acabava de consertar a estrada. Mesmo assim passamos cerca de trinta minutos por lá, pois depois de consertada a estrada começaram as negociações para ver quem passaria primeiro

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Mesmo com o transtorno chegamos em Itaituba bem e no horário. Fomos encontrar a Melissa e o Jeromé para fazermos a matéria para o canal Arté……..Os dias que passamos com eles foram muito legais. Mas essa eu conto daqui a pouco…..

10 comentários 19 de Março de 2008 às 19:44 admin

Medicilândia também entrou para a nossa História

Amigos

O Marcos já deve estar chegando no Rio. Eu estou em Jacareacanga. A última do Pará. Consegui atualizar o blog com Medicilância. Há mais para entrar no ar. Divirtam-se

Medicilândia começou assim………

Ei! Aeee! Alôôô!

Era domingo, a praça estava cheia e nossa chegada em Medicilância começou assim. Nossa idéia era ficar 3 dias. Ficamos uma semana!

Quase tudo em Medicilância começa ou gira em torno disso…….

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Medicilandia 119 1 - Medicilandia 119 1

Não! Não estou falando de Holambra ou outra cidade produtora de flores……Estou falando de…

Medicilandia 117 1 - Medicilandia 117 1

Também não tem a ver com alfinetes. No detalhe há muito mais por trás dessa história, mas em resumo tudo começa mais ou menos assim. Com uma flor, alguns alfinetes e uns seis meses depois…

Medicilandia 121 1 - Medicilandia 121 1

Medicilandia 122 1 - Medicilandia 122 1

Por trás disso tudo há as mãos de pessoas como o Chagas. Lembram de Brasil Novo, que falei que conversei com um casal de pioneiros? Pois é! O Chagas é o filho deles, que trabalha na CEPLAC, que nos convidou para conhecer o centro de estudos sobre cacau. Fomos.

Medicilandia 120 - Medicilandia 120

Medicilândia é a principal produtora de cacau no Brasil e segundo ouvimos por lá, a qualidade do cacau produzido na região tem uma das melhores do mundo. Como não entendo de cacau, torço para que seja e para que saibam aproveitar muito bem esse status.

Medicilandia 155 - Medicilandia 155

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Medicilandia 107 - Medicilandia 107

Além de cacau há muito mais vida em Medicilândia. Querem ver uma coisa?

Medicilandia 128 - Medicilandia 128

Esse é o Arinaldo. Sujeito boa praça! No início meio caladão, mas com o tempo se transformou no maior conversador, camarada bom de papo, tranquilão e apaixonado por “cães”. Deve ter mais de 12! No dia em que nos conhecemos estava adotando mais uma cadela e não cansava em dizer: - Essa promete! Tá mal tratada, mas é boa. Depois de alguns dias me disse que não gosta de esticar conversa que não tem futuro. Acho que a nossa conversa foi boa.

Conheci o Arinaldo por conta do João do Lava a Jato. Quem for a Medicilândia não deve errar. Lava a jato é o do João. É só perguntar aonde fica que vão explicar. Moleza de achar e serviço de primeira. Além do alto astral.

Então! Fui até o Arinaldo porque o guincho traseiro do carro não estava funcionando e, por não estar, deu pano “para as mangas”. Ainda chego lá.

Por conta do João conheci o Arinaldo, do Arinaldo a Aurivaneide e por conta da Aurivaneide conheci o seu livro. E o li! Nele, ela conta parte da sua história, desde que chegou na transamazônica, lá no 23 – Medicilândia está no 46 – com a sua mãe e seus 10 irmãos.

Medicilandia 110 - Medicilandia 110

Ela é essa da esquerda, de verde. Por conta da história deles. Deles porque ela é irmã do Arinaldo e são filhos do Sr. Manoel Crispin e da Dona Elma.

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E chegaram na região em 1971. Seu Manoel nos contou que está por essas bandas desde 1970. Trabalhou na construção de um trecho da Transamazônica entre Estreito e Marabá, depois se candidatou a colono, daí foi para a 230 e trabalhou para o INCRA e depois escolheu o seu lote e fincou suas raízes……

Nossa conversa levou horas e foi muito agradável. Ele é um coroa de mais de 70 que parece ter quase 18. Muito altivo, quase não pára. Adora uma conversa – e eu também – e quando nos demos conta estávamos há um tempão em pé pelo quintal falando sobre a sua história. História de muita luta, trabalho e dedicação. Recheada de momentos de descontração e emoção. Quando perguntado respondeu sem pestanejar que seu maior trunfo é a esposa Elma e os filhos.

Medicilandia 129 - Medicilandia 129

Mas eu comecei a contar essa história toda por que mesmo? Ah! Foi por causa dos gritos de domingo na praça.

Por conta desses gritos….

Medicilandia 154 - Medicilandia 154

Trocamos o busão numa máquina mais encorpada

Medicilandia 113 - Medicilandia 113

E deixamos o Busão nas mãos de outro motorista

Medicilandia 153 - Medicilandia 153

Porque o comstumeiro não estava em condições de seguir viagem nele

Medicilandia 151 - Medicilandia 151

Quer Lama - Quer Lama

Atola - Atola

Vou apresentar a você o protagonista de todos esses acontecimentos e que nos levou para um travessão aonde atolamos o carro pela primeira vez nessa viagem.

Medicilandia 123 - Medicilandia 123

Esse é o Daniel. O dono dos gritos na praça. O conhecemos em Altamira, na oficina do Bil. Lá nos intimou a visitá-lo. Nem foi preciso. Assim que chegamos ele fez a maior festa. Ainda nem tinhamos entendido direito como era a cidade, pois chegamos ao anoitecer e fomos direto para a praça que fina na margem da 230 e já nos vimos sentados à mesa com seus amigos, mostrando o blog, comemorando aniversário, contando nossas histórias, ouvindo as deles, fazendo novos amigos, encontrando uma outra Land para o Busão namorar. Enfim! Eram muitas coisas que aconteciam ao mesmo tempo. Mal deu tempo de digerir Brasil Novo e Medicilândia entrava intensa na nossa vida.

Medicilandia 150 - Medicilandia 150

O Daniel é dono do balneário Ponte de Pedras….

Medicilandia 141 - Medicilandia 141

Sem dúvida a principal atração da cidade. Durante o verão e nos dias de sol, não há lugar melhor para ir nas imediações de Mediciândia. Ele nos disse que já chegou a receber mais de 1.000 pessoas no mesmo dia. Uma loucura! E tudo começou como um brincadeira. Como um lugar para ele se divertir com os amigos. Deu no que deu!

No Balneário, além dos atrativos como piscinas, churrasqueiras e diversas áreas de lazer, há uma área de reserva que o Daniel preserva com o maior cuidado. Transformamos o Ponte de Pedras na nossa casa durante os sete dias que passamos em Medicilândia e por lá vivemos momentos muito importantes..

Medicilandia 127 - Medicilandia 127

Na porta do quarto em que fiquei havia uma outra casa só com as crianças….

Medicilandia 142 - Medicilandia 142

Havia um visitante ilustre que aparecia apenas à noite…Chamam aqui de Mucura

Vimos chuva, muita chuva!

Medicilandia 146 - Medicilandia 146

Antes….

Medicilandia 145 - Medicilandia 145

Depois

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Medicilandia 114 - Medicilandia 114

Medicilandia 116 - Medicilandia 116

Vimos a casa com a família toda

Medicilandia 144 - Medicilandia 144

E também nos sentimos parte de uma grande Família. A família Ponte de Pedras!

Medicilandia 148 1 - Medicilandia 148 1

Medicilandia 149 - Medicilandia 149

Mas Medicilândia também foi local de cinema na praça e respondendo ao Marco Aurélio. A emoção de proporcionar uma sessão à comunidade na 230 é muito parecida com a das localidades do interior do Rio, aonde esse projeto nasceu.

Medicilandia 132 - Medicilandia 132

Medicilandia 136 - Medicilandia 136

O cansaço é grande, a trabalheira infinita, o momento é breve e quando a sessão acaba estamos exaustos e repletos de felicidade por podermos proporcionar esse momentos às pessoas. Sendo aqui ou aí a nossa emoção se fortalece à medida que percebemos a emoção das pessoas que assistem aos filmes.

Nessa tivemos a ajuda de algumas pessoas, dentre elas o André. Garoto esperto e muito interessado. Valeu Andrezão!

Medicilandia 139   Andr   e Elenir - Medicilandia 139   Andr   e Elenir

A semana em Medicilândia passou muito rápido. Mais rápida ainda foi a construção da amizade que fizemos com o Daniel e sua família. Conhecemos muitas pessoas interessantes na cidade, mas gostaria de dedicar esse artigo ao Daniel, que nos acolheu, nos fez parte de sua família, abriu as portas da sua casa para nós e não mediu esforços para nos agradar. Olha que nem precisava se esforçar.

Em Homenagem ao dia internacional das mulheres - mais do que atrasada - pedimos à Wliana, filha do Daniel, que nos permitisse publicar o seu Poema.

Medicilandia 147 - Medicilandia 147

Ela deixou!

“Mulher

Mulher, tu que tens o amor mais profundo
Que do seu ventre põe mais um vida no mundo

Mulher, tu que és guerreira e trabalhadora
Que conquistou seus direitos e virou eleitora

Que mesmo com o preconceito conseguiu votar
Que ao se olhar no espelho tende a se auto-amar

Mulher, tu és mulher
Que sabe que tu existe
Que mesmo com o machismo
Nunca, nunca desiste

Mulher, que quando é mãe só pensa em sua criança
Pois sabe que para o mundo ela é mais uma esperança

Mulher, Mãe, Guerreira”

O Daniel é um daqueles caras gente fina, que todo mundo gosta, de que as pessoas falam com carinho, a que pedem conselhos. Um visionário! Um cara do bem!

Na hora da partida, por volta das oito da manhã, ainda soltou um….Fica aí pro almoço. Seu fresco!

Medicilandia 124 1 - Medicilandia 124 1

Daniel. Muito Obrigado!

……….mas tinhamos que partir.

20 comentários 18 de Março de 2008 às 19:22 admin

Estamos quase partindo de Itaituba

Pessoal

Passei por aqui para atualizá-los dos acontecimentos.
Estamos em Itaituba e nos preparando para partir. Daqui o Marcelo seguirá para Jacareacanga e o Marcos voltará ao Rio para resolver alguns dos nossos pepinos que ficaram por aí.
Itaituba passou bem rápido e por aqui realizamos duas sessões de cinema. Como havia dito antes, recebemos a Melissa e o Jeromé. Eles vieram fazer uma reportagem sobre o nosso trabalho para um canal de tv francês.

Em Itaituba realizamos duas sessões de cinema. Uma em São Jorge, um assentamento distante da cidade e a outra na aldeia indígena dos Mundurucu. Ambras desprovidas de energia elétrica.

Só uma pitada……….Da aldeia chegamos ontem por volta das duas da madruga, depois de muito trabalho para voltar com o carro do outro lado do igarapé. Depois de entrarmos na aldeia caiu uma chuva digna de floresta amazônica e mais um pouco ficariamos presos lá. Também foi a primeira vez que um carro entrou na aldeia.

Sei que estou devendo o artigo sobre Medicilândia. Assim que der publicarei. Falta apenas carregar as fotos.
Agora vamos correr para colocar as coisas em dias para partirmos.

Como disse o Bernardo o tempo de resort ficou para trás. Agora tem sido “paulada na moleira”. O Carro vive coberto de lama, os pneus têm trabalhado bastante e as aventura continuam a se multiplicar. Essa da aldeia foi um barato, mas ficamos trabalhando muito, quase não dormimos e já estamos arrumando as malas para seguirmos viagem. Muuuuuuuuuito bom!

Quincas - ainda não descobrimos esse tal de jacaré do seco. Mas agora podemos atestar aonde babaçú abunda. Nós vimos com os nossos olhos.

Dri - Na boca da caverna também havia morcegos. Acho que o local “mais seguro” era na cachoeira, do lado de fora mesmo.

Anajô - Juquira é como eles chamam a segunda brotação da mata. A que surge depois do desmatamento.

Marco Aurélio - O cara deve ter sido rápido mesmo, pois entrou e saiu e nem o vimos.

Sobre o livro - estamos pensando em escrever sim, mas isso ficará para decidirmos na volta. Ao menos dois leitores já sabemos que teremos.

Até mais

7 comentários 17 de Março de 2008 às 11:51 admin

Brasil Novo foi rápido, mas intenso.

Decidimos sair de Altamira pela BR 230. Como disse num dia desses, a Transamazônica passa ao lado da cidade, num trecho meio esquecido, pois ainda é de barro, acidentada e estreita nas proximidades de uma cidade toda pavimentada. Por isso mesmo decidimos voltar uns 8 km e seguir viagem por ela ao invés de sair por dentro da cidade.

Logo no início conhecemos a Dona Antonia. Paramos uns segundos para o Marcos subir no teto do carro e se ajeitar para filmar esse trecho. Ela surgiu do meio da juquira e chegou devagar enquanto “falávamos com a câmera” sobre o asfaltamento do trecho.

Do jeito que chegou começou a rir e soltou…….já ouço isso há vinte anos. Eles dizem que vão asfaltar……… Depois dessa olhou para o Marcos e perguntou: - Esse não é o moço da televisão?

Altamira2 - Altamira2

Depois de conhecer a Dona Antonia seguimos pela 230. esse trecho foi o mais estreito que encontramos desde Marabá. Nele a vida passa normalmente como em qualquer outro lugar………

Altamira3 - Altamira3

Altamira4 - Altamira4

Altamira5 - Altamira5

Altamira6 - Altamira6

Quase no final do caminho encontramos…….

Altamira7 - Altamira7

…….. a sede do DNER (ainda está escrito assim mesmo). Lá uma preciosidade…….

Altamira8 - Altamira8

Saindo de Altamira me bateu um sono incontrolável. O Marcos assumiu a direção e só me dei conta do caminho quando já havíamos chegado em Brasil Novo.

Chegamos pela hora do almoço……já um pouco passada, é verdade! Não conseguimos um lugar que ainda tivesse comida e fomos comer um “lanche” na padaria Art Pães. Lá conhecemos o David, seu primo – que não lembro o nome, o Antonio e a Jaqueline.

Brasil Novo 09 - Brasil Novo 09

O Marcos descobriu que a Jaqueline havia feito um trabalho para a escola, bem parecido com o que estamos fazendo. Fizeram uma pesquisa entrevistando alguns moradores da cidade de Brasil Novo que chegaram por lá na década de 1970. Fiquei curioso, grudei na Jaqueline até ela me contar como foi tudo.

Conseguimos uma cópia do DVD que gravaram com as entrevistas, vi algumas fotos e ouvi muitas histórias da cidade. A Art Pães virou o nosso ponto de parada oficial. A família deles é tão cativante que nos sentimos em casa. Por falar nisso, em menos de meia hora já estávamos na casa deles. Toda construída pelo Antonio é ampla e muito bem arejada. Fomos parar lá por conta da prestatividade da Jaqueline, – um ponto forte da família - que se prontificou a nos ajudar de imediato e correu para conseguir uma cópia do DVD, agilizar umas fotos que estavam na escola, nos contar as histórias que ouviu. Uma doce de menina! Muito obrigado, Jaque!

Mas as horas passaram rápido em Brasil Novo. Da padaria fomos à casa do Levy. O Marcos queria conhecer uma aldeia indígena e a propriedade do Levy faz divisa com uma reserva. São vizinhos e amigos!

Brasil Novo84 - Brasil Novo84

Da conversa com o Levy e sua família ficaram boas risadas e um convite para conhecermos a propriedade. A conversa fluiu de aldeia indígena à atoleiros e transversais instrasponíveis. O desafio era a 23.

Topamos! Ele não acreditou. No dia seguinte pela manhã tinhamos algumas coisas a fazer na cidade. Dentre elas uma visita à prefeitura e depois disso fui conhecer a Dona Maria José e Seu Antonio José, que me contaram um pouco das suas histórias. Muita luta e satisfação com as conquistas. Na casa deles conheci o Chagas, um dos seus filhos. Da boa conversa ainda ficou o convite para um visita ao centro de estudos sobre o Cacau, na CEPLAC em Medicilândia. Faremos tudo para ir.

Brasil Novo 109 - Brasil Novo 109

No dia seguinte cedinho saimos em direção ao Levy. No caminho o Grande e as cavernas de Planaltina. São umas cavernas de arenito enormes. Algumas ainda pouco exploradas. Para chegar nas cavernas pegamos a quinze, cerca de oito quilômetros à frente de Brasil Novo. De travessão foram mais quatro e chegamos. Fácil fácil!
Na entrada uma cancela, uma terra escorregadia e o Grande. Ah! Ele é o responsável pela propriedade. O que antes era uma área com dono e sem cuidados, aberta a todos e aos cuidados de quase ninguém, agora ganhou novo dono e muito cuidado.

Brasil Novo e Medicilandia10 - Brasil Novo e Medicilandia10

Agora a palavra por lá é preservar e quem quer destruir não é bem-vindo. Do contrário é um lar! Confesso que não perguntei o porque do apelido, mas o grande nem é muito alto. É, se comparado comigo. Com o Marcos, nem tanto!

Ele nos recebeu com a maior alegria. O dia estava chuvoso e o Grande saiu seco de casa, com a maior disposição de nos mostrar as cavernas. Com tanta empolgação nem poderíamos pensar em não ir.

Brasil Novo24 - Brasil Novo24

Lanternas nas mãos e cabeça partimos. Antes de chegar na primeira caverna a chuva começou a cair. Que jeito? Entramos.

Brasil Novo22 - Brasil Novo22

O Marcos não se sente muito confortável em cavernas e ficou pela entrada. Eu e o Grande seguimos escuridão a dentro. Em poucos metros a quantidade de morcegos chegava a assustar. A lanterna de cabeça desliguei devido aos rasantes. Por conta da luz vinham sem cerimônia na direção do meu rosto. Nada confortável.

Brasil Novo20 - Brasil Novo20

Grande! Você conhece essas cavernas, perguntei.
Só até ali, ele me disse. De lá nunca passei.
Por que? Perguntei
Sozinho tenho medo. Foi o que ele me disse.

Agora sim! Marcos na porta. O Grande pouco conhecedor das cavernas. Os morcegos guias e eu apreensivo e curioso. As histórias em torno delas são muitas. Caverna que tem gás, um americano se perdeu, não sei quem ficou preso, um professor da UFPA que disse ter um jacaré enorme lá dentro, há cobras e lagartos e uma piscina e uma queda d’água de água cristalina. Essa foi a mais convincente.

Brasil Novo31 - Brasil Novo31

Brasil Novo34 1 - Brasil Novo34 1

Decidimos nos aventurar. Seguimos juntos, quase de mãos dadas. Na entrada do primeiro salão de acesso a uma das galerias secundárias o Grande parou na porta e eu fui o sorteado a entrar. Entrei uns vinte metros e os morcegos quase batiam na minha cara. O cheiro é muito forte!

É das fezes, gritou o Grande!

Mais uns passos e cheguei ao final. Meia volta. Não é por aqui. Assim fizemos em mais umas duas ou três. O Grande na entrada para marcar a saída e eu dividindo o espaço com os morcegos.

Brasil Novo26 1 - Brasil Novo26 1

Decidimos seguir pela galeria principal. Da história do jacaré eu duvidava. Pensava comigo. Como pode um jancaré viver aqui?
O Grande defendia que ali era morada de pacas, tatus, veados etc. prato feito para o jacaré. Não me convenci. Jacaré? Lá dentro? Sei não!

Mais à frente paramos novamente. Agora estávamos seguindo um córrego que saía da caverna. Achamos que assim seria bem fácil seguir em frente. Somente pela galeria principal. O cheiro estava muito forte e a visão turva. Havia uma espécie de fumaça no ar e os insetos eram tantos que já incomodavam mais do que os morcegos. Parados com a mão na frente do nariz e dos olhos decidimos desligar um pouco as lanternas para ver no que daria.

No meio da conversa comento que o chão é engraçado. Um tipo de areia macia, parece até terra de adubo ou húmus. O Grande fala: – Terra nada! É bosta de morcego.

Bos…nem terminei a frase e liguei a lanterna pra ver. Quase não vi a bosta. Vi uma infinidade de baratas, aranhas, grilos e muitos outros insetos nos rodeando, cavando as fezes, pulando. Um movimento frenético tipo central do Brasil, tipo saída do Maracanã em dia de decisão. Não adiantava dar “piti”. O negócio era agradecer a bota e a calça comprida.

Ficamos entre sair da caverna e continuar andando. Continuamos! Mais à frente o riozinho tomou corpo e o barulho da água aumentou. Pensei que estivéssemos próximos da queda d’água. Iluminando o chão vi um buraco enquanto caçoava da história do jacaré. Nisso direciono o foco bem pro fundo do bucarco.

– Grande, chega aqui! Tem um bicho lá dentro. Vem ver!

Ele veio, chegamos bem perto! Caramba é um jacaré!
Tudo bem que ele não tinha os três metros do jacaré do professor, mas era um jacaré de verdade. Devia ter uns sessenta centímetros. Ficou acuado conosco, abriu o bocão e ficava fazendo um barulho feito um ronco. A aventura estava muito boa. Mas decidi voltar!
Acho que tanto eu quanto o Grande gostaríamos de ter um Sr. Wilson conosco. Lembram? Da Chapada dos Veadeiros!

No passo que saímos da “casa” do jacaré chegamos na entrada da caverna. Linha expressa, sem escalas. Lá estava o Marcos admirando a entrada da caverna e fotografando tudo o que podia.

Lançamos a idéia de voltar para fotografar o bichano. Ele não topou ir, mas deu força esticando a mão para eu pegar a câmera. Apesar de achar que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, peguei-a e voltamos ao local. Do jacaré, ficou apenas a foto do buraco. Ele ainda estava lá, mas dessa vez mais entocado e não achei uma boa idéia colocar a mão lá dentro para tentar a foto. Ele vai ficar na lembrança. O buraco está aí!

Brasil Novo35 1 - Brasil Novo35 1

Das cavernas ainda tinhamos um bom caminho pela frente. Queríamos chegar no Levy, que fica na vicinal 23. Estávamos na 15. A coisa aqui funciona assim: A principal é a transamazônica. As transversais chamam-se travessões ou vicinais. Ao sul – à esquerda da estrada – têm a numeração ímpar. Ao norte o contrário.
Um travessão pode chegar a mais 100 km, mas nesse caso era de aproximadamente 45 e entre os travessões a distância é de aproximadamente 5 km e na maioria das vezes passam por dentro das propriedades, por pastos, currais etc. Se no travessão já é um tal de abre e fecha colchete danado, imaginem nas que ligam os travessões!

Então, ainda precisávamos percorrer cerca de 30km pelo travessão e passar da 15 para a 17, daí para a 19. Da 19 para a 21 e chegar na 23. Fizeram a conta? Tudo muito fácil. Ainda mais porque tínhamos tudo muito bem detalhado numa folha, surrada, de caderno com dimensões de 10cm x 15cm aproximadamente.

Caminho para o Levy - Caminho para o Levy

A primeira indicação era um um curral preto na beira da estrada, ao lado de um pé de mato grande. Vimos o curral. O pé de mato melhor não comentar. Paramos e perguntamos!

Um senhor lá do fundo do terreno gritou: – Fica há 8 km à frente. Nossas contas diziam uns dois. Fazer o que? Tocamos em frente.

A segunda era uma tranqueira, logo após um mata burro. Titubeamos. Paramos. Ufa uma moto!
– Escuta, amigão! Seguindo por essa tranqueira conseguiremos chegar na 17?

– Hum…..Pra onde querem ir? Perguntou ele.
Ah! Pra casa do Levy! Mas é muito longe daqui, é lá na 23! Sou o Tuti, cunhado dele – que coincidência. Tem um caminho mais fácil………..Achamos melhor mostar o mapa. Qualquer mudança no roteiro poderia nos fazer perder as informações tão precisas que tinhamos. Decidimos seguir o plano original cunhado pelo próprio Levy.

Seguimos curral a dentro e mais porteiras. Depois de uns 6km chegamos na 17. Daí deveríamos seguir por mais 25km até chegarmos na entrada para a 19. Chegamos e foi fácil. Mas chegamos na beira do rio Xingu! Fim da linha. Mais à frente só tinha água.

Decidimos voltar e perguntar. Voltamos uns 3 km e encontramos uma casa de colonos. Antes dela uns “porcos selvagens” que não nos deram a menor atenção.

Brasil Novo41 - Brasil Novo41

Segundo o colono estávamos perto. Era só voltar mais uns dois quilômetros e cruzar o colchete à esquerda. De colchete em colchete estávamos quase na 21 quando encontramos uma F4000 agarrada na poça. Opa! Mais ação.

Brasil Novo50 - Brasil Novo50

Querem ajuda? Antes que repondessem já saltamos do carro e começamos a analisar o que fazer. Vamos passar com o Busão pelo lado e de lá puxamos eles pra frente. Feito!

Brasil Novo52 - Brasil Novo52

Depois de um cabo de aço do guincho arrebentado – falha minha – tiramos a F4000 da poça e, como o motorista havia saído para buscar ajuda, o Marcos teve seus momentos de motorista de carro de linha.

Agora já tinhamos a quem seguir. O negócio é que eles correm muito e acompanhar a F4000 lotada de gente não estava fácil. Mais à frente nos disseram: - Aqui vocês seguem pra lá. Só seguir em frente……e sumiram na “poeira”.

Nós fomos em frente como disseram. A essa altura já tinhamos nos perdido no mapa, mas seguir em frente parecia ser fácil demais. Ainda tivemos que perguntar mais umas quatro vezes. Mas chegamos!

Ao chegar no Levy, não sei o que mais nos chamou a atenção. Se a festa que fizeram ou o visual da sua casa na beira do Iriri.

Brasil Novo166 - Brasil Novo166

Fomos recebidos com a maior festa por todos que estavam lá. Assim que colocamos o pé na casa recebemos duas pamonhas. Tiramos as botas, entramos na varanda da casa e traçamos as pamonhas. Mas não ficaria apenas nisso. Mais tarde ajudariamos a fazê-la. Deu no que deu!

Brasil Novo e Medicilandia15 - Brasil Novo e Medicilandia15

Nom dia seguinte saimos cedo para procurarmos umas castanhas no pé. Atravessamos o rio numa voadeira e chegamos na terra do meio. O terreno estava bastante alagado e chegar em solo firme deu um trabalhão. Primeiro tivemos que desviar o barco das árvores, dos galhos, dos cipós. Foi uma aventura! Saimos do barco com água pela cintura e caminhamos pelo alagado. Após pisarmos no seco andamos por cerca de uma hora até acharmos a primeira castanheira. Como estava fora da época das castanhas, não tivemos muita sorte. Mas achamos algumas. Não estavam uma delicia. Mas o passeio valeu muito.

Dessa aventura ficamos sem fotos. As imagens que temos estão na filmadora. A fotográfica quase não viu muita coisa. Para não ficarmos totalmente na secura, seguem essas.

Brasil Novo122 - Brasil Novo122

Brasil Novo113 - Brasil Novo113

Depois de “catar” castanhas na floresta fomos conhecer as corredeiras do Iriri de perto. No verão são cachoeiras, mas nessa época o rio sobre tanto que quase não dá para acreditar que nesse lugar se formam praias e mais praias nos meses de “verão”.

Bom! Da 23 seguimos para a 21 e depois para Medicilândia. Essa conto na próxima.

19 comentários 13 de Março de 2008 às 13:12 admin

Altamira….foi difícil partir, mas conseguimos!

Vocês nem imaginam a saudade que eu estava de vocês. Passar por aqui tem sido um momento muito importante da viagem. Pena que a internet que vinha tão presente resolveu tirar umas férias. Que bom que estamos aqui novamente. Tenho muito a atualizar.

Vamos lá, então!

Nossa! Parece que chegamos ontem e com a idéia de ficarmos de 3 a 4 dias em Altamira. Era o tempo de arrumar as coisas, revisar o carro e partirmos para o trecho seguinte……..Brasil Novo, Medicilândia, Uruará e assim vai.

Como o tempo passa rápido! Ao revisitar a nossa história em Altamira, nos demos conta de que 12 dias se passaram. Muito tempo, não!?

Como eu ía dizendo, muita coisa aconteceu lá. O carro quebrou e ficamos dias esperando as peças. Chegaram numa boa, montamos o carro num sábado e pensamos que estivéssemos prontos para partir. Ledo engano. Antes disso veio a pescaria. Lembram do Xingu de madrugada….. da chuva que o Marcos falou? Pense numa fruta bem doce……

Na ida para a pescaria mais uma novidade. Um problema na caixa de direção. Um rolamento nos deu a maior dor de cabeça. Mas não parou por aí. A mesa de som foi pro conserto, o PX caiu no chão e foi para o conserto, pegamos a lente da máquina que veio do conserto, o portal da tela rasgou e o levamos para o conserto.

Com tantas dificuldades era para não termos saído de Altamira com uma boa impressão. Mas não foi isso que aconteceu e vou contar porque. Por lá encontramos novamente a Dona Rosa. Lembram? De Vila Nazaré? A esposa do Zé Carinha!

Dona Rosa e Zé Carinha - Dona Rosa e Zé Carinha

Foi muito bom revê-la em Altamira. Vocês tinham que ver a nossa alegria. Ela fez questão de nos apresentar para toda a família que estava lá, pros clientes do restaurante da irmã e do cunhado e até para a equipe da tv que estava passando. Essa é uma história à parte. Marcos virou celebridade, deu entrevista e apareceu num programa local de domingo. Nós não conseguimos assistir, mas depois disso ouvimos várias pessoas apontarem para o Marcos e dizerem: “esse não é o moço da televisão!”

Quando fomos resolver o problema da embreagem, pois o pedal havia cedido muito e nos preocupado ainda mais, conhecemos o Bil. Ainda não sabíamos, mas ele se tornou o nosso maior companheiro por lá. Um grande amigo! Nos levou para a pescaria, nos ajudou em tudo o que precisamos, abriu a sua casa e a oficina para a gente, nos apresentou seus amigos…….Nos sentimos em casa, muito por conta dele.

Por conta do Bil conhecemos o Silvio, “Caba” arretado, que junto com o Bil e o Marcelo (sobrinho do Bil) nos levaram para a pescaria.

Bil - Bil

Silvio - Silvio

Marcelo - Marcelo

Nem preciso entrar em detalhes. Eles fizeram o nosso final de semana o maior barato. O Marcos já contou, mas………andamos de canoa, testamos nossos repelentes – que passaram no teste com louvor –

Pescaria Bil10 1 2 - Pescaria Bil10 1 2

Pescaria Bil18 - Pescaria Bil18

…conhecemos o Xingu, armamos fogueira, comemos peixe fresco pescado na hora, andamos na mata, montamos acampamento e…..ainda insatisfeitos com o resultado da pescaria fizeram mais.

Pescaria Bil6 - Pescaria Bil6

Desmontamos acampamento, pegamos a estrada novamente, paramos no meio do caminho, comemos peixe assado, fizemos novos amigos….Opa! uma pausa.

Pescaria Bil11 - Pescaria Bil11

Pescaria Bil3 - Pescaria Bil3

Pescaria Bil40 - Pescaria Bil40

Pescaria Bil41 - Pescaria Bil41

Por conta do Bil, do Silvio e do Marcelo paramos para comer, assado, um dos peixes que eles pescaram – a cachorra! E nessa parada conhecemos a Mariza (ainda não sei se com s ou z), o Carlos – seu esposo, o Marcelo – seu irmão, o Ronaldo – um amigo – e mais alguns que não lembro dos nomes.

Pescaria Bil22 - Pescaria Bil22

Pescaria Bil28 - Pescaria Bil28

Pescaria Bil24 - Pescaria Bil24

Pescaria Bil2 - Pescaria Bil2

Pescaria Bil25 - Pescaria Bil25

O almoço foi maneiríssimo. O que era para ser uma parada, levou a tarde quase toda e ainda ficamos com gosto de quero mais. O Carlos largou tudo em sampa e se encontrou no Pará. Encontrou inclusive a Mariza e se casaram. Ele faz o transporte de passageiros entre Altamira e o travessão, como chamam as estradas vicinais. Ela é economista e trabalha na prefeitura. O Marcelo numa empresa de contabilidade. O Ronaldo trabalha com motos, mas não lembro o nome da oficina. Disseram que ele é o bicho montado na magrela!

Pescaria Bil30 - Pescaria Bil30

Pescaria Bil31 - Pescaria Bil31

Eles nos receberam tão bem que a vontade de ficar foi enorme. O convite para voltarmos no verão daqui já foi feito e o desejo de vir quase não me deixou ir embora. Impressionante como o povo daqui é hospitaleiro!

Pescaria Bil35 - Pescaria Bil35

Só que o Bil e o Silvio ainda tinham outras surpresas guardadas e partimos para Belo Monte.

Pescaria Bil26 - Pescaria Bil26

Pescaria Bil33 1 2 - Pescaria Bil33 1 2

Silvio e a Maria traz a vela!

Pescaria Bil38 1 2 - Pescaria Bil38 1 2

Seguimos por mais uns 80 km e chegamos na casa do irmão do Bil, o Galego. Esperamos ele chegar, fizemos fotografias com o Foguinho, o Macaco. Fomos para a Casa do Chico Preto, na margem do rio Limão. Esperamos o Galego voltar e fomos novamente para a pescaria…….aquela que o Marcos contou….Com o Galego e o Parazão, filho do Chico Preto.

Pescaria Bil42 1 2 - Pescaria Bil42 1 2

Chico Preto

Depois disso veio o retorno à Altamira. Era madrugada e eu e Marcos nos alternávamos na direção para driblar o sono. Chegamos em “casa” quase cinco da manhã.

Em casa entre aspas porque essa é mais uma história. Lembram da Claudinha, de Pacajá. Aquela que aparece numa foto dando banho no Marquinhos. Pois é! Ela foi nosso anjo da guarda em Altamira. Quando soube que estávamos no hotel Globo disse: nada disso! Minha casa está vazia, podem ficar lá. Ficamos. Onze dias, eu acho!

Claudinha e Marquinhos 1 2 3 - Claudinha e Marquinhos 1 2 3

Por causa da Claudinha conhecemos a Scheyla e a Linda. Elas são filha e mãe, nos contaram altas histórias da época em que chegaram em Altamira e nos deram a maior assistência durante os dias que estivemos por lá. A Scheyla dava um alô, quase todos os dias, quando estava passeando com os seus cachorros. Que mancada! Não temos nenhuma foto com elas. Alô Scheyla! Manda uma foto de vocês?

No dia seguinte à pescaria começou a faina da caixa direção, que aqui se chama setor. Desmontamos quase tudo. Havia um calo terrível que chegava a travar o volante. Através do Bil conhecemos o Augusto. Figuraça também e fizemos amizade rapidamente.

Oficina do Bil6 1 2 - Oficina do Bil6 1 2

Depois de torcer o nariz ao saber que o carro era uma Land, aceitou o desafio de desmontá-la. Voltei para a oficina do Bil e deixei a caixa presa apenas por dois parafusos. O Bil me deu uma carona até em casa e o carro ficou esperando pelo Augusto para a manhã seguinte.

A partir daí grudei no cangote dele e quase passei a ser a sua sombra. As vezes me perdia dele e cheguei a perder vários gramas nas idas e vindas entre a oficina dele e a do Bil.

O Augusto desmontou a caixa. Eu junto. – Tem que levar num torneiro, e eu junto. Tem que comprar eletrodo para fazer enchimento no fuso, e eu junto. – Precisa sacar o pino do rolete, e eu junto. Andei uns bons quilômetros na garupa da Bis do Augusto.

Oficina do Bil2 - Oficina do Bil2

A verdade é que os roletes de um rolamento da caixa quebraram e com isso quase perdemos o fuso. O cara topou fazer um armengue e devido à falta de peça e tempo para esperar, ficou bom para as possibilidades e nem tanto para ser definitivo. Avisados já estamos. Palavras do Augusto: – Isso é para chegar em casa!

Oficina do Bil5 - Oficina do Bil5

Ainda na oficina do Bil conhecemos o Flavio, que por coincidência é amigo do Marcelo de Macapá. Essa foi uma baita coincidência mesmo!
Quando estive, em 2003, pelas bandas de Macapá conheci um xará. Durante a viagem atual ele me mandou um e-mail dizendo que ligasse quando eu chegasse em Altamira, pois ele tinha um amigo lá que seria nosso amigo também. Ligar não deu, mas mandei um e-mail de volta. Não conseguimos nos falar e eu já achava que não conheceria esse novo amigo. Pois não é que esse amigo era o Flavio!? Nos conhecemos de qualquer maneira. Pena que não temos uma foto juntos. Senão a colocaria aqui.

Flavio – caso esteja acompanhando o blog e tenha uma foto sua, por favor mande-a.

Ainda na oficina do Bil conhecemos o Daniel Ulian. Ele estava voltando de uma pescaria com o filho e foi ver um problema na roda traseira do carro. Conversa vai, conversa vem com o Marcos, ficou sabendo que iríamos passar por Medicilândia e intimou. Chegando lá, é para me procurar………Mas a história do Daniel eu conto depois, pois essa é bem longa. A propósito ele foi a primeira pessoa que encontramos em Medicilândia e estou bem no balneário dele escrevendo esse artigo.

Por esses e outros acontecimentos em Altamira que o tempo passou tão rápido e que a vontade de ficar nos “prendeu” lá por tanto tempo. Enquanto escrevia esse artigo me esqueci que tudo começou com a palavra conserto. Aqui como lá, parece que tudo foi pretexto para ficarmos mais tempo. Mas quem está de passagem tem que ser firme na hora de partir. Caso contrário nem conseguiríamos sair de casa.

Como vocês já perceberam, agora estamos em Medicilândia. Mas antes ainda tem Brasil Novo. Vou fazer o seguinte:
Deitar um pouco, pois já passa da meia noite. Amanhã continuo. Antes de partir, mais uma foto……

Medicilandia7 - Medicilandia7

Boa noite para vocês!

21 comentários 6 de Março de 2008 às 22:17 admin

Moço, pense numa fruta bem doce….

Meia noite, domingo. É, meia noite de domingo sim.

Voce já estava dormindo….esperando a segunda feira chegar….

Nós no meio do Rio Xingu, o Xingusão véio pros íntimos. Pescaria de “malhadeira”, duas canoas de dar medo de subir de tão pequenas, Galego, Parazão, Marcelo e eu.

Aí o Galego, enaltecendo a beleza e a qualidade de vida na região lançou: Moço, pense numa fruta bem doce!

DSC 4000 1 2 3 - DSC 4000 1 2 3

Pausa! começo agora eu a pensar sobre o que o galego falou.

Pensou? Pois é. Este é o gosto da vida, da minha vida.

Pense num AMIGO fora do comum, desses que muitos queriam ter…
Pense numa FAMÍLIA que apoia e torce por cada milímetro deslocado, que está mais presente e perto do que nunca
Pense em PESSOAS que viajam nos sonhos e que torcem por cada passo dado, andam juntas e já conhecem nossos novos AMIGOS com muita intimidade.
Pense em APOIADORES que apostam na oportunidade de fazer algo para melhorar nosso País.

Faço minha estréia neste Blog, depois de um mês só nos bastidores da viagem e já chego cheio de vontades. A maior delas é a de agradecer as pessoas que conheci, que me mostram a cada dia a preciosidade do simples. Nunca me senti tão em casa quanto por aqui.

Pessoas que nunca nos viram abrem suas casas, suas vidas e partilham suas histórias. E olha que tem cada uma que dava filme, longa metragem do bons…

Então, pensou?

DSC 3983 - DSC 3983

Marcos

30 comentários 26 de Fevereiro de 2008 às 22:05 admin

Direto do Rio Xingu

Atenção base! Base na escuta?

Passamos por aqui para dar sinal de vida. E que vida!
Vocês colocaram a pilha e nós fomos. De um dia viraram dois e as últimas 48 horas voaram nas águas do Xingu. Mas essa é uma longa história que há de ser contada com calma.

E não é conversa de pescador, Maira.
Bernardo….a vontade de levar a canoa é grande, mas decidimos deixá-la aqui para podermos voltar.
Paulinho….açaí com barbeiro? Pode deixar! não vou comer açaí por aqui……huuuuuummm!

Aline (Maneira), Angela e Claudinha……..que bom que embarcaram nessa viagem. Conto com vocês para continuarmos essa conversa via blog……

Turma……a Claudinha é nosso anjo da guarda em Altamira. Já apareceu num artigo, dando banho numa criança. O Marquinhos!

Essa é uma palhinha do passou. Chegamos da pescaria hoje às cinco da manhã, passamos aqui para dar um alô e dizer que tudo anda bem e agora vamos correndo para a Oficina do Bill (Depois contamos sobre esse figura de Altamira. Nosso anjo da guarda 2) arrumar uns detalhes no carro e arrumar as malas para partir. Com vontade de ficar, temos que ir.

Ainda hoje terminamos de contar a história do Xingu

Até já!

7 comentários 25 de Fevereiro de 2008 às 11:37 admin

Nossa memória anda meio apagada

Companheiros de viagem

Ontem ficamos ausentes resolvendo questões burocráticas (domésticas, na verdade), mas hoje estamos de volta. Primeiro vamos às notícias mais rápidas e depois volto à história da memória………

Em relação ao Busão, tudo resolvido. Desmontamos o cilindro mestre da embreagem e, por desencargo, decidimos trocar tudo. O mestre e o escravo. Para quem não sabe do que estamos falando, depois mando a foto do “mardito”. Por conta desses cilindros teremos que permanecer aqui em Altamira pelo menos até terça feira. As peças estão vindo do Rio. Achamos os cilindros em Belém, mas alguém os levou antes.

Passamos o dia de ontem e anteontem quase todo por conta disso. Fizemos da oficina do Bil a nossa. Depois mando foto dele e da oficina. Para continuar a onda de solidariedade que nos surpreendeu desde a nossa chegada no Pará, o Bil além de abrir as portas da oficina, nos levar para cima e para baixo procurando as peças, ainda nos ofecereu seu carro para não ficarmos a pé – se fosse necessário – e nos convidou para um pescaria no sábado. Acho que iremos sim!

Resumo da ópera: estamos esperando os cilindros chegarem, sábado e domingo será dia de pescaria e segunda de oficina. Terça voltaremos à estrada. Apesar de termos sido muito bem recebidos por aqui, já não aguentamos mais ficar parados.

As fotos da BR 230 para o Cesar Siqueira mando assim que der. Por falar nisso descobrimos o trecho mais estreito da Transamazônica desde Marabá. Amanhã passaremos por lá e faremos uma das últimas imagens desse trecho que será asfaltado no próximo verão (daqui). A 230 passa ao lado de Altamira, mas com esse pedacinho ainda não está asfaltado, “todo mundo” segue por dentro da cidade. Vocês verão em fotos o que estou falando.

Foto 0 - Foto 0

As palavras do Paulinho estavam realmente inspiradas. Mais do que inspiração é o retrato fiel do que rola por aqui. Para quem está em casa, muitas vezes, é difícil perceber que em alguns momentos é necessário haver muito mais do que parceria para conseguirmos viajar juntos por tanto tempo, num espaço físico tão reduzido. Nesse caso Marcos e eu. Vocês são a energia que nos move e nos faz seguir nos momentos mais difícieis.

Altamira agora: essa é uma cidade ribeirinha. Acho que muitos já sabem. É banhada pelo Rio Xingu……….

Foto 1 - Foto 1

E como toda cidade ribeirinha a relação com o rio é intensa

Foto 2 - Foto 2

O rio é usado para quase tudo

Foto 3 - Foto 3

Foto 4 - Foto 4

Diz-se por aqui que quando a criança nasce já ganha uma canoa. Acho mais adequado dizer que ganham uma bicicleta. Vou procurar uma imagem de uma criança com um canoa. Ainda não vi. Talvez porque o rio esteja muito cheio. Mesmo assim vemos os meninos na maior farra no rio.

Foto 5 - Foto 5

Passamos dias em Altamira e não foi fácil encontrar o monumento em homenagem à inauguração da Transamazônica. Até já tinhamos passado em frente e nem nos demos conta.

Fots 6 - Fots 6

Foto 7 - Foto 7

Mas……….está abandonado. Roubaram a placa informativa, o mato cresceu, ninguém visita e poucos sabem do que se trata.

Foto 8 - Foto 8

É Chamado de “Pau do Presidente”. Seja como for……..

Foto 9 - Foto 9

Em sinal de tristeza colocamos a bandeira a meio pau….quase um luto por conta da nossa falta de memória.

Foto 10 - Foto 10

Altamira também tem seu “Cristo Redentor”. Aqui ele é chamado de Linhão. Monumento em referência ao tramo norte de eletrificação da região. Ganhou o ponto mais alto da cidade e hoje pode ser considerado um cartão postal de Altamira. Pelo sim, pelo não tem um visual muito bonito para o Xingu. Bom lugar para ver o por do sol.

Foto 11 - Foto 11

Outras curtas………o Marcos foi entrevistado em um programa do canal local. Mas não vimos a matéria que já foi ao ar. A tv Altamira (Reccord) nos convidou para realizarmos uma matéria sobre o projeto. Se rolar será na segunda-feira.

Açaí não se acha aqui. Todos os dias batemos ponto das lojas que vendem e naaaada! Fora de época.

Segundo o Quincas o trecho entre Humaitá e Lábrea está “cortado”, como dizem por aqui. Se mais alguém conseguir informações sobre esse trecho, fique à vontade para enviar.

Oi Dri, assistimos ao vídeo no youtube, valeu pela pesquisa. Já estávamos com saudade. E vc, gostou do vídeo?

Por ora é isso. Vimos nos correios que a peça deve estar aqui amanhã e conseguimos uma ajuda na agência. Se tiver chegado um funcionário de lá irá quebrar o galho de nos atender amanhã, pois aqui a agência não abre aos sábados.

Nos falaremos mais tarde um pouco. Vamos preparar as ferramentas…..para a pescaria ou oficina….cara ou coroa?

9 comentários 22 de Fevereiro de 2008 às 19:58 admin

Internet muuuuuuito lenta !!!!!

Companheiros expedicionários……….

Estamos bem. Ainda em Altamira.
Net muito lenta, não dá para atualizar o blog com fotos. Com texto já está muito difícil.
Assim que der, haverá novidades. Espero que hoje.

Fé e até logo.

1 comentário às 14:00 admin

Um mês de estrada…..

Queridos!

Hoje completa um mês que conseguimos começar a realizar esse sonho. Apesar das aventuras e desventuras (como disse o Demian), dos equipamentos que pipocaram (como disse o Bernardo), dos estranhamentos (como ressaltou o Quincas no texto do Saramago), da Luz Divina da Bete, da emoção que toma todos nós ao vivenciarmos essa histórias, das piadas do Waldir, da falta de lama, da comida diferente, da cama desconfortável, das horas de estrada, da chuva, do sol, da poeira, da saudade, da vontade de seguir, da de voltar, dos amigos que fizemos, dos que deixamos, dos lugares que visitamos, dos que não conseguimos, do dinheiro que faltou, do que entrou etc etc etc. tudo tem valido muito a pena. cada minuto, cada segundo, cada quilômetro, cada metro.
Dentro de poucos dias - mais um mês - estaremos de volta ao Rio de Janeiro e uma certeza que tenho é que nunca mais serei o mesmo. Espero que esteja um ser melhor!

Parece que nossa vida é um ciclo mesmo. 30 dias após a partida estamos de volta aos preparativos para uma nova partida. Em poucos dias deixaremos Altamira para trás e ingressaremos numa nova etapa da viagem. Acredito que mais selvagem e mais difícil.

O dia de hoje será tomado com ajustes no carro, afazeres domésticos e solução de pendências financeiras.

O melhor de tudo é saber que junto conosco há uma legião de pessoas nos apoiando. Continuem conosco e teremos a certeza de revê-los em breve.

Muito obrigado pela companhia!

Um mês já foi..... - 19.02.2008

11 comentários 19 de Fevereiro de 2008 às 15:00 admin

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