Jacare….buré….acanga. A última do Pará
11 de Abril de 2008 às 19:02 admin | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 2607
Já cheguei em Jacareacanga. O caminho é longo e foi cheio de surpresas e amizades. Imaginem que essa viagem é como ir do Rio a São Paulo pela Dutra, só que de terra.
Já no início do caminho uma cena bem rara por aqui. Mas que acontece! Isso foi logo depois da entrada da Aldeia do Sr. Adriano.
Somente na região do Parque Nacional da Amazônia são mais de 100km só de mata por todos os lados.
E foi lá a primeira supresa. Ao chegar na entrada do Parque me deparei com o Cícero e os piuns. Saltei do carro e já tomei uma “ferrada” no pescoço. Comecei tudo novamente e voltei no carro para pegar o Exposis. Agora sim estava pronto para um papo rápido.
Ele me disse que não poderia autorizar a minha entrada, pois a requisição deveria ter sido feita em Itaituba. Simpático como foi, sutilmente sugeriu que eu fosse à outra sede.
Segui em frente por mais uns oito quilômetros e cheguei na sede. Não é que o Diretor do Parque, o Marcio, estava lá? E não estava só. Junto com ele estava um super pessoal do bem, fazendo um planejamento estratégico. Olha a vista do escritório deles…….
Eles me convidaram para almoçar. Aproveitei a canja e fui dar uma volta pelo Parque. Em uma hora e meia consegui conhecer alguns pontos legais, numa trilha bem sinalizada e repleta de informações.
A vontade de ficar era grande, mas ainda tinha muito chão pela frente. A essa altura já sabia que não chegaria em Jacareacanga e comecei a pesquisar um lugar para dormir. Encontrei o Curuá!
Para mim o Curuá ficava na Serra do Cachimbo, bem longe daqui. Pois é. Mas o Curuá aqui é outro. Curuá é o apelido do Roberto, pai da Vitória e do Bebê (Vitor) e esposo da Mara.
Primeiro passei direto, pois estava procurando um “parador” chamado Rabelo – é um restaurante – e que pela distância não batia com o odômetro.
Como as distâncias aqui são “meio no olho”, nunca batem com precisão por conta do odômetro do carro ou por causa da estimativa das pessoas na estrada resolvi parar, dar meia volta e perguntar (um erro aqui pode significar 50 km e sempre é melhor perguntar).
Aí eu conheci o Curuá, a Vitória e o Bebê. Ficamos conversando e nessa de conversa vai conversa vem perguntei quanto custava um vôo. Ele me disse o preço e continuamos com a conversa. Olhei para o relógio e vi que já tinha passado quase meia hora. Pensei: preciso me adiantar.
Nisso o Curuá falou: - Fica aí! Por que você não dorme por aqui? Tem lugar para a rede, tem chuveiro para o banho…….
Pensei novamente. É mesmo! Por que não!
Antes de eu responder a minha própria pergunta ouvi uma voz dizendo assim: Sobe aí………o resto conto depois. Mexa no mouse e veja com os seus olhos.
Acabei dormindo por lá e além de fazer novos amigos pude acompanhar a saga de quem tem que seguir entre Itaituba e Jacareacanga de lotação. Essa não resistiu e tiveram que consertá-la durante a madrugada. Tudo com o melhor bom humor possível……
No dia seguinte, sob muita chuva cheguei em Jacareacanga.
Depois da exibição para os Mundurucu da aldeia do Sr. Adriano (engraçada essa frase, não!?) fiquei pensando em deixar a tela por aqui para que pudéssem realizar mais sessões. Até mesmo porque Jacareacanga é habitada, em sua maioria, por indígenas e descendentes. Há uma venda - aqui chamada de comercial - que fica lotada de índios assistindo a televisão durante a noite. Mas acabou não rolando.
Daí, na sexta feira santa por volta das onze da manhã eu já estava quase com o pé na estrada para ir para Apuí. Dei uma passada rápida na lan para ver se tinha alguma novidade. A lan estava fechada, assim como todo o comércio por aqui. Nisso conheci o Rogerio, o Sub-oficial da Aeronáutica responsável pela base do CIVAM aqui. Ele também é carioca e ficamos no maior papo. O Rogério é o da esquerda. O da direita é o Plácido.
Quando vi a hora, já estava quase perdendo a balsa há 160 km de Jacare. Como o Rogerio me convidou para conhecer a base, quase vi a balsa indo a pique. Foi no que deu. Todos me receberam como irmãos e acabei ficando.
Pela noite resolvi acompanhar a encenação da via sacra. Foi legal também ter ficado por isso.
O que eu não esperava era ficar mais um dia. Mas fiquei! A caixa de direção voltou a dar problema. A profecia do Augusto de Altamira não se concretizou e ela não aguentou até em casa. Achei um corajoso que topasse desmontá-la novamente. Foi o Zenon.
Desmontamos a caixa e os rolamentos que já estavam ruíns em Altamira, haviam se desintegrado. Viraram pó. Fizemos um armengue para substituí-los e agora está tudo “certo” para seguir viagem. Amanhã quero sair às 5:00 e direto para Apuí.
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Maira e Vito - Aquela é uma área de garimpo sim. Foi desmatada por causa do ouro. Como ele anda meio fraco por lá, estão prestes a abandoná-la.
Beatriz - Missão cumprida realmente. Saudade grande, mas confesso que parte da cabeça ainda está pela transamazônica
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6 Comentários Faça seu próprio
1. Maira | 12 de Abril de 2008 às 10:12
Muito lindo !!!!
Unico porem…… eu vi bem ou aquela foto era de um desmatamento?? E depois dizem q não há !!!
Seja bem-vindo!!
abraços Maira
2. Vito | 12 de Abril de 2008 às 18:39
Rapaz, que etapa produtiva essa da jornada, heim!!! Rolou até um vôo básico de avião por cima da Floresta… é lindo vê-la de cima, mas dá uma dor danada no coração quando a gente encontra um desmatamento ou garimpo clandestino… espero que não tenhas passado o mesmo sufoco que o teu amigo aqui, no meio de um temporal terrível… e no dia estava com um fotógrafo, que de tanto medo dos relâmpagos e trovões não conseguiu bater uma só foto e se negou a me emprestar a máquina…
Grande abraço e bom retorno.
3. Beatriz | 14 de Abril de 2008 às 12:01
É Marcelo… essa sensação de missão cumprida é realmente reconfortante…
Posso dizer que amei toda essa viagem… é maravilhoso ter essas sensações que são passadas através dos seus textos e fotos… afinal não sei se seria capaz de realizar uma aventura dessas… embora ache tudo maravilhoso…
Como já disse antes… acredito que a saudade aí deve estar batendo forte… e apesar de tudo nessa viagem ter sido intenso… você deve estar louco para voltar…
Agora ta quase… espero que tenha uma ótima viagem de volta… que possa rever familiares e amigos… e contar pessoalmente toda essa emoção vivida…
E é claro não esqueça de mim… quero uma visita aqui em Rio das Ostras… para contar detalhes dessa viagem maravilhosa…
Mil bjs !!! Tudo de bom !!!
4. anestor bueno | 19 de Maio de 2008 às 15:51
gostei muito desse documentario é muito legal .
saber que nossa cidade esta sendo divulgada, e assim todos podem ver nossa realidade e podem ver que não é como eles pensam aqui têm muita gente do bem
pena que nossa transamazonica esta em péssimo estado
mas isto não nos desanima, pois somos insistentes
e não desistimos de nossos objetivos a cidade de APUI, é uma cidade pequena e bem tranqüila aqui é muito bom pra começar uma vida . parabens pelo documentario e volte outras vezes por aqui valew te mais abraços…
5. joão araujo | 21 de Outubro de 2009 às 01:33
essa estrada e minha velha conhecida eu morava em itaituba hoje estou morando em sao paulo mais ainda sinto saudade q vejo!!!!!!
6. gilvandro leal viana | 11 de Abril de 2010 às 19:20
realmente é um lugar muito lindo de ver a natureza mas o que eu quero mesmo é ir pesca ai to me planejando preciso de informaçoes de pacote de viagem para 4 pessoas
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