Um café, uma galinha….uma Família!
18 de Fevereiro de 2008 às 16:25 admin | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 1914
Preciso dar uma parada! Assim que chegar o próximo Graal vamos dar uma encostada pra eu ir ao banheiro. Disse o Marcos em tom de brincadeira.

Não era bem um Graal, nem uma Dutra ou a 040. Mas era a 230 com seus encantos e segredos.
Paramos! Ao invés do Graal achamos o comercial Rodrigues. Uma venda na beira de estrada, aonde se compra de farinha à gasolina, que é vendida nos galões, garrafas e até em copo se quiser.
Saltamos e o Marcos não resistiu! Sabem de alguém que more aqui há muito tempo? Disparou. Chegar nos lugares é sempre um acontecimento. Desde que saimos de Marabá só vimos uma Land. Parece que é de Uruará. Ainda chegaremos lá!
Mas voltando à história, responderam para ele. Aqui?! Tem seu Zé Carinha e Seu Daniel, que já é morto. Eles chegaram aqui quando não tinha nada. E ainda não tem muito.
A referência da casa do Zé Carinha é a placa do Banco da Amazônia e o transformador. Fomos pela placa e……. casa vazia, trancada, empoeirada e parece que abandonada há tempos!
Antes de achar que o Zé Carinha havia saído da cidade sem deixar rastro resolvemos perguntar novamente.
Placa havia em duas, mas transformador apenas em uma. Paramos em frente.
- O sr é o Zé Carinha? Perguntei ao moço que descia da moto e a entregava a uma menina de uns 15 anos.
- Sou o filho dele, respondeu o Zé Carlos.
- E ele está?
- Tá sim. Vou chamar!
E veio um homem simpático e falante com as feições marcadas pelo tempo e pela vida. Agora sim tinha cara de quem havia chegado lá, pelas bandas de 1972. Sem muita cerimônia, embaixo de uma árvore que arrisco ser um pé de cacau – para dar graça à história – e espantando os mosquitos que não perdoavam os afoitos que tomados pela emoção desceram do carro sem passar repelente, desandou a contar a sua história.
Não podíamos perder aquele momento. Resistimos aos mosquitos e a conversa tomou uma dinâmica tão agradável que fomos lembrar dos mosquitos apenas mais tarde.
O destino estava selado. Passaríamos várias horas por lá! Seu Zé Carinha – engraçado chamá-lo assim – perguntou se já tinhamos almoçado e antes de respondermos nos tocou para dentro de casa e serviu um porco assado. O melhor até agora!
Quando entendeu o que pretendíamos agiu rapidamente. Hoje vocês ficam por aqui. Zé Carlos! Leve os meninos na sua mãe! Chame ela pra cá!
Chame também De Assis, as crianças…vá lá, vá!
Entramos no carro, eu e Zé Carlos. Enquanto isso o Marcos continuou na casa deles comendo, conversando e fotografando.
Ao chegarmos aonde estava a Dona Rosa, Zé Carlos não resistiu e foi brincando com a mãe.
- Mãe esse moço veio do Rio de Janeiro trazer notícias do Tio Francisco, sumido há muitos anos.
Elas estavam preparando um mingal de milho que quase desandou naquela hora. O silêncio foi grande! Dona Rosa me olhou com um olhar que marcaria nossa estadia, colocou a mão no rosto, apertou as bochechas e disse: não acredito!

Na mesma frase, meio sem jeito engatei: Ainda bem que a senhora não acredita, pois espero que o motivo da nossa vinda aqui tenha sido bom. Mas nem tanto quanto seria trazer informações dele.
O que parecia ser um momento tenso não foi. Logo largamos umas boas gargalhadas e o Zé Carlos foi quem abriu o coro. Ufa! Que bom!
E Dona Rosa ficou animada novamente ao saber da nossa idéia. Quase deu um salto da cadeira e pediu que as netas reunissem toda a família. Vamos lá! Avise ao De Assis, as meninas todas. Chame Geizyane, Nathyelle, Josivânia, Gleicyane, Jéssica, Mikaelle, Angélica, Caio…….anda, anda! Todo mundo. Vamos!
As horas passaram muito rápido, fizemos a foto, falamos da vida e resolvemos fazer uma sessão em Vila Nazaré. Acho que foi a sessão mais rápida de todas. Em poucas horas divulgamos a sessão, conseguimos o local, inflamos a tela, ligamos o som………..esse detalhe deixo para contar outra hora….. e eles escolheram o filme. A chuva chegou no final. Quase não atrapalhou. Era a nossa primeira em plena Transamazônica.
Paramos em Vila Nazaré para um descanso e encontramos essa família. Nos sentimos tão em casa que dormimos com eles. Peguei a galinha e Dona Rosa cuidou dela. À noite comi a melhor galinha da 230.

Vejam vocês. Nós pensamos que iríamos presenteá-los com a fotografia e nós quem ganhamos uma família. Fomos tão bem recebidos que ir embora foi muito difícil. Depois de lá já nos reencontramos algumas vezes. Umas 3 com o De Assis em Anapu e uma com a Dona Rosa em Altamira.
Dona Rosa tem o sonho de conhecer o Rio. Ela e “seu” Zé Carinha! Cicerone, casa e comida já têm. Ficou por conta deles marcar a data. Que seja breve.
Se você estiver na Transamazônica e for passar pela Vila Nazaré lembre-se: A casa do Zé Carinha e da Rosa é parada obrigatória.
Antes de partir ela nos disse: Sabe que na noite passada tive um sonho. Nele tirávamos uma foto com todo mundo aqui. Igualzinha a de um vizinho nosso, pra colocar na parede e ficar vendo. Agora já têm!
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10 Comentários Faça seu próprio
1. Adriana Lyra | 18 de Fevereiro de 2008 às 18:15
Nossa Marcelão!
Tenho acompanhado toda a viagem, apesar de não ter escrito ainda! Muito legal! Mas essa história… me emocionou, muito mesmo!
A idéia desse blog não poderia ter sido melhor, fico sempre de olho para ver qual será a nova história e se vcs estão bem. Estou muito feliz de ver que tudo está dando certo e que vcs estão felizes. Vou continuar por aqui, de olho e esperando as próximas novidadades… e o barro, né? Beijocas pra vcs! Dri
2. ANAJÔ | 18 de Fevereiro de 2008 às 20:49
Qdo falei com seu Juarez Lobo para saber do cilindro mestre e do escravo, ele perguntou se era a Land de Uruará eu disse q era do Brasil Social….rs .rs.rs ! Já estou esperando seu Zé Carinha e Dona Rosa, um bj prá eles. Esperando o próximo capítulo. Está mais emocionante do q Lost.
3. Tio Quincas | 18 de Fevereiro de 2008 às 22:47
EiaHHHH camaradas…
Acho que as escritas de José Saramago em “Viagem a Portgal” se encaixam bem…
” Conhecer um país é apreender,de modo tanto quanto possível exacto , a sua paisagem, a sua cultura, o povo que o habita . Quase sempre, porém, o interesse do viajante é atraido, senão pelo caminhos habituais e pelas imagens conhecidas, com exclusão, portanto, daqueles factores de aventura e imprevisto que são afinal, o verdadeiro sabor da viagem …..
No dia a dia dessa aventura, abundam as revelações surpreendentes de um país que julgávamos banalizado. Somos levados a conhecer o autêntico rosto duma terra inesgotável, por caminhos humanos e naturais cuja beleza é nosso primeiro dever guardar…
A felicidade, fique sabendo o leitor, tem muitos rostos. Viajar é provavelmente um deles . Entregue as suas flores a quem saiba cuidar delas e comece. Ou recomece. Nenhuma viagem é definitiva.
Boa estrada….
P.S.: Mãe eh mesmo puxa-saco…!!!!!!!!!!!! rsrsrsrs.
4. Demian Mota Coqueiro | 19 de Fevereiro de 2008 às 10:13
Marti e Marcelo,
Emocionante o relato da família do Seu Zé Carinha. Só mais uma prova do seu apego às pessoas simples. Eu me senti na casa deles também. Já estou ficando viciado em entrar aqui e ler sobre as suas aventuras e desventuras.
Boa Viagem! Vão com Deus!
Demian
5. Ester | 19 de Fevereiro de 2008 às 23:55
Meninos,
Essa me encheu os olhos d’água. Me deixou com uma pontinha de inveja. Como eu gostaria de ter participado…
6. Aline | 23 de Fevereiro de 2008 às 01:37
Como é maravilhoso sentar e escutar…. olhar a face de dona Rosa e saber que cada marca em seu rosto conta uma história e desenha parte de uma vida.
Deparar-se com pessoas e não personagens…
Envolver-se cria laços, dói à despedida e depois deixa saudades, não é mesmo?
E loucamente, é bom demais - fazer amigos e por eles esperar! E o que mais?
Beijos
7. Luizinho | 3 de Março de 2008 às 08:39
Fala aí galera boa tudobem com vcs?…….adorei ver o Marcos comigo nas costas,me pareceu que estava com medo mais tudo bem ,……..me diz aí quando é a volta que eu quero dar um abraço em vcs,…….a zuzu está mandando um beijo em cada um de vcs,estamos pedindo a Deus que voltem bem e com bastante saude ……..estarei embarcando dia 8 e só volto dia 22 se vcs estiverem por aqui vou ao encontro,um grande abraço
8. aurivaneide da Mata Cavalcanti | 20 de Março de 2008 às 11:22
vcs estão de parabens, dão show ao vivo que maravilha está mais disputado do que o bbb. aurivaneide
9. Francisco Sales | 12 de Dezembro de 2008 às 11:30
Cara,
Só tive contato com seu blog agora, mas fiquei pirado com sua aventura no coração da amazônia, conhecendo os costumes do nosso povo e compartilhando coisas novas, sem falar que vocês estava a bordo de uma Land, que na verdade foi o que me interessou em começar acompanhar a história.
Parabens pelo desafio recebido e alcançado.
Sds!
Sales
Sales - Muito obrigado pela visita ao blog. Ainda bem que você o descobriu. Realmente foi uma aventura inesquecível. Já sonhava, há anos, em atravessar a Transamazônica e valeu cada dia de estudo e de viagem. O Busão (Land da viagem) foi uma bravo guerreiro que enfrentou sozinho todas as dificuldades do trecho.
Tomara que, um dia, tenhamos a oportunidade de nos conhecermos pessoalmente. teremos muitas histórias para contar. Sobre carros e aventuras.
Um abraço.
Marcelo
10. Aurivaneide da Mata cavalcanti | 30 de Novembro de 2009 às 12:45
Saudades de vcs… cadê os aventureiros pararam?… voltem antes de se fazer asfalto um dia… bjs.
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Nossa torcida é para que aslfatem para que a vida de vocês torne-se menos difícil.
Hoje em dia, mais do que da aventura, sentimos saudades dos amigos que fizemos.
Voltaremos a nos ver. Tenho certeza!
Obrigado pela visita e pelo carinho.
Marcelo
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