O caminho do Cacau
18 de Fevereiro de 2008 às 16:00 admin | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 9636
“– Eu tinha 36 anos - quase a minha idade atual - e vi na revista uma foto daquela estrada”. Aquilo mudou a minha vida e ditou meus passos seguintes. Depois de muita conversa em casa – às vezes acalorada – e de noites sem dormir conseguimos arrumar as malas. Pegamos nossas coisas e as embalamos. Depois de fazer a nossa inscrição ficamos aguardando eles chamarem. Quando avisaram que o avião ia sair fomos para um hotel. tudo pago por eles! E pensamos que ia ser uma maravilha, tinha de tudo. Muita comida, tudo luxuoso. Que depois pagamos cada centavo.
No amarrado não podia faltar a rede, a panela e o facão que naquela época andava agarrado na cintura o dia todo. Hoje não mais, quase nem preciso dele!
Assim começou a conversa numa agradável varanda da casa do Sr. Luiz e da Dona. Raimunda, logo após a segunda ponte para quem vai de Anapu a Pacajá. Dona Raimunda entrou devagar na conversa dizendo que a memória já não ajudava mais a contar.

Vim porque tinha o sonho de dar à minha família mais do que tive. Não queria que meus filhos tivessem que comer “pau cozido” com farinha. Na minha cidade a seca era violenta e sem a chuva nada dava. Cansei de viver ao destino e resolvi pegar a estrada.
O tempo passou rápido e vi muita gente voltar ou morrer. Eu mais minha família fomos ficando e luntando com as dificuldades. Naquela época o mato era fechado e nós tampávamos mata a dentro, dia e noite para preparar a terra (e virava o olhar para as mãos calejadas e marcadas pelo tempo). Mogno mesmo eu nunca vi nas minhas terras! Agora tinha muio pau grosso aí pra dentro.
Eu mesmo me livrei de morrer uns par de vezes. Malária aqui espantava todo mundo. Teve vez da família inteira ficar de cama sem poder parar de trabalhar. Tinha horas que pensávamos que viemos pra cá pra morrer. Mas naquela época nós era forte e hoje estamos aqui.
Os filhos já caíram no mundo. Um vive aqui outro acolá. Da terra, só nós mesmo que tiramos o sustento. Nós mais o Evandro, nosso neto e filho.
Entre uma lembrança e outra o tempo foi passando e fomos nos embrenhando na história de mais uma família que havia largado o seu passado para começar tudo novamente. As vezes a memória falhava e, como o rebubinar de uma fita, voltávamos tudo ao começo. Aquela história parecia não me cansar nunca. Tinha a impressão de que passaria todos aqueles anos com eles para ver com os meus próprios olhos. Mas a riqueza de detalhes com a qual o Sr. Luiz contava a história era tamanha que sentia as dores e alegrias que sentiram.
Depois de umas horas de conversas me sentia parte daquela família. Daí fomos conhecer o cacoal deles. O cacau começou aqui com o Zé Carinha. Eles (INCRA) tinham umas linhas de plantio. Só depois que fizeram a experiência com o cacau.

No início eu plantei feijão. Mas não deu bem! Perdi tudo na primeira safra. Na hora de passar o fogo choveu sem parar e ficamos quase seis “meis” com chuva direto. Amargamo quase um ano vivendo de caça e lutando com as doenças. Mas hoje estamos aqui.

Essa história se prolonga por toda a tarde. Já havíamos perdido a hora de irmos embora de Anapu. Mas quem se importava com isso? Eles queriam que ficássemos, nós também. Mas a 230 nos esperava. Outras histórias como essas se escondem nas curvas da estrada.
“Vocês são os primeiros. Não! Nesse tempo todo veio uma outra moça saber da nossa história”. Mas com ela foi rápido. Vocês são a segunda pessoa que vem aqui se interessar pela nossa história. Foi um prazer contar!
Mal sabe ele que o prazer mesmo foi ouvir. E ouviria muito mais. Passaria dias vivendo aquela história. Dona Raimunda, Sr. Luiz, Evandro, Regiane e Francisca (a Goiana) fazem com que os quilômetros e a saudade que sentimos de casa sejam minimizadas.
Depois voltamos…………
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7 Comentários Faça seu próprio
1. Elizabete | 18 de Fevereiro de 2008 às 20:42
ANDAR COM FÉ
Silvia Schmidt
Andar com fé
É saber que cada dia é um recomeço.
É ter certeza que os milagres acontecem
E que os sonhos podem se realizar.
Andar com fé
É saber que temos asas invisíveis.
É fazer pedidos a estrelas cadentes
E abrir as mãos para o céu.
Andar com fé
É olhar sem temor as portas do desconhecido.
Ter a inocência dos olhos da criança,
A lealdade do cão,
A beleza da mão estendida
Para dar e receber.
Andar com fé
É usar a força e a coragem
Que habitam dentro de nós
Quando tudo parece acabado
Andar com fé
É saber que temos tudo a nosso favor.
É compartilhar as bênçãos multiplicadas.
É saber que sempre seremos surpreendidos
com presentes do Universo.
É a certeza que o melhor sempre acontece
E que tudo aquilo que almejamos está
totalmente ao nosso alcance !
Basta só Andar com Fé !
Marcelo e Marcos desejo que cada dia desta caminhada, vocês estejam sempre envolvidos pela luz divina e que possam ver o sonho de vocês realizado.
Continuem em frente ainda falta muito, mas com toda certeza chegarão lá.
Um grande abraço
Bete
2. Elizabete | 18 de Fevereiro de 2008 às 20:43
Marcelo e Marcos desejo que cada dia desta caminhada, vocês estejam sempre envolvidos pela luz divina e que possam ver o sonho de vocês realizado.
Continuem em frente ainda falta muito, mas com toda certeza chegarão lá.
Um grande abraço
Bete
3. julia martinelli | 13 de Março de 2008 às 20:41
papai quando vc vouta?
eu to com sudades viu!
papi vc nao acredita,eu arrecadei 102.25 reais so de moedinhas e notinhas!!!!
bem eu te amo liga akih ta bj. tixau!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
4. julia martinelli | 15 de Março de 2008 às 12:35
liga de novo pq a mamae quer falar com vc
5. Adilson Siqueira de Andrade | 16 de Março de 2008 às 01:06
E ai Marcos e Marcelo,
Recebi uma ligação do Rio de Janeiro que em seu nome me pedindo que eu veja com uma transportadora, para embarcar a camioneta para o Rio. O que aconeceu, está tudo bem?
Estou em Brasília em uma reunião da diretoria do ANDES-SN. Neila também está aqui, tem acompanhado a trajetória de vocês pelo Blog.
Vou voltar para Brasília no dia 27/03. Gostaria de saber quando vocês estão prevendo chegar em Porto Velho.
Um abraço no Marcos.
Um grande abraço.
Boa viagem, pé na estrada, amigos.
Adilson Siqueira de Andrade
6. julia martinelli | 16 de Março de 2008 às 11:11
PAPAI A MAMAE ME TIROU OS MEUS 50 E NAO QUER DEVOUVER POXA PAI AS MINHAS ECONOMIAS,ELA VEIO COM UM PAPAO DIZENDO”A É PARA A MAQUINA SE EU NAO USAR EU TE DEVOUVO” MAS HOJE ELA DISSE QUE NAO VAI DEVOUVER MAIS PAI TIRA DELA 50 REAIS QUANDO VC VOUTAR PARA ME DAR POR COM A MINHA MESADA EU VOU COMPRAR OUTRAS COISAS E COM AS MINHA ECONOMIAS EU VOU LEVAR PARA TIRA DENTES E NAO VOU TRASER NADA P/ ELA FAZ ISSO PAI E VOUTA LOGO TB TA PQ SE EU PASSAR MAIS UM DIA COM ELA EU MORRO EU NAO ATURO MAIS ELA!
BJ. EU TO COM SAUDADE E LIGA AKIH HOJE P/ DIZER ISSO A ELA!
7. mateus | 6 de Agosto de 2009 às 09:07
compre uma caixa de cacau pra min
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