Antes mesmo de chegarmos ao Pará, já encontramos a primeira foto a ser enviada.
Essa é a família da Evanilde. Eles moram no Tocantins e nos conhecemos no Vale da Lua, perto de São Jorge. Férias para eles é um misto de trabalho e diversão. Durante os meses de janeiro e fevereiro vão para Goiás e aproveitam para tirar um trocado levando os turistas para conhecer o Vale.
Da esquerda para a Direita: Daniel, Lucas, Maria Eduarda, Evanilde e Sansão!
Com o Sr Wilson descobrimos que essas marcas nas pedras são como falhas na sua constituição e são nesses pontos que eles quebravam as pedras durante o garimpo. Vocês já sabiam?
Conseguimos despachar os pneus Maxxis Bravo para Porto Velho. Vão ficar na casa do Adilson Siqueira. Aquele que conhecemos em Alto Paraíso e São Jorge.
3 de Fevereiro de 2008 às 16:39
admin
Faltou falar um restinho sobre a Chapada dos Veadeiros………São Jorge! Pensar em São Jorge é lembrar de cavalo e dragão, mas dessa vez o animal é outro. No nosso caso a estrela é ……..
mas o que São Jorge tem a ver com essa cobra? Tem tudo, a começar por……….
São Wilson! ………..Tudo bem, eu explico tudo. Desde o começo…….
Gustavo, gaúcho, fotógrafo tarimbado, viajado, profissional dedicado à UniSinos, lotado no laboratório de fotografia da universidade e que estava com muita vontade de viajar. Não encontrou ninguém que estivesse no mesmo pique, não deu bola, pegou 40 horas de ônibus de Porto Algre até São Jorge.
Erico e Mariana, paulistas, moradores de Botucatu. Foram visitar o pai do Erico que está de mudança de Brasília. Queriam dar um rolé, pegaram o fusca – inteiraço por sinal – e esticaram um pouco mais a viagem. Foram a São Jorge e em conjunto com o Gustavo encontraram um camping ainda desativado. Armaram a barraca por lá.
Rafael, carioca, Analista de Sistemas, morador da Barra da Tijuca, que ganhou uma passagem aérea para Brasília e para não perdê-la perguntou a irmã (altamente viajada) uma dica do que conhecer pelas bandas do planalto central. Ela, sem pestanejar, disse: Chapada dos Veadeiros.
Ele arrumou as malas e partiu sozinho. Chegando lá, perdeu a de volta. Resolveu ficar mais uns dias. Deve estar voltando de Busão (dos de linha regular mesmo) para o Rio de Janeiro por esses dias. Vai comemorar seu aniversário com a família.
A história desses dois vocês já conhecem…….
Adilson e Neila, dirigentes do Sindicato dos Professores Universitários, após dias de muita labuta na organização do congresso da entidade, resolveram tirar alguns dias de férias, digo descanso, e sairam sem rumo. Foram parar na Chapada dos Veadeiros, na Pousada do Getúlio (www.jardimdaspedras.com.br). Mas nos conhecemos melhor entre a pousada e o Vale da Lua. De conversa em conversa fomos juntos para São Jorge, aonde conhecemos o Torres e o Santos, que nos rendeu muitas horas de conversa. Falamos de Marx, Lula, perspectiva de vida, poder, polícia, bíblia, Deus, sanidade, loucura e muito mais.
Aos 45 do segundo tempo entra na história a Samira, carioca, enfermeira, descolada, que foi a Brasília fazer uma prova e no dia que lhe restou enfrentou um ônibus até Alto Paraíso de Goiás. Decidida a chegar em São Jorge iniciou uma caminhada de 37 km. Aos 10 conseguiu uma carona na boleia de um caminhão, e chegou sentada em cima da areia de obra.
Aonde a história dessas pessoas se cruza? Em São Jorge. Ao chegarmos lá, Nós, Adilson e Neila fomos procurar um bar ou restaurante para “almoçarmos” e do primeiro que chegamos, corremos por causa de um bebum que ao tentar nos atrair, nos afastou.
Do do Bebum fomos para o restaurante da Nenzinha que estava quase fechando. Em meio a um papo e outro conhecemos o Torres e o Santos. Ainda na Nenzinha conhecemos o Iraní, outro guia local experiente. Ele nos disse que sairia para guiar um grupo no parque, na manhã do dia seguinte e que ainda havia espaço para nós dois. Se quiséssemos o horário era às 9:00. Em frente ao restaurante.
Nossa conversa com os 4 foi até tarde. A nossa não! Pois eu entreguei os pontos e, de fininho, fui dormir dentro do Busão (o nosso). O Marcos ficou até o final e arrumou um canto para dormirmos. Nem lembro direito aonde.
Na manhã do dia 29 de janeiro, que chegou com chuva, estávamos de prontidão às dez para as nove, em frente ao restaurante. Mas nada do Iraní. Batemos na casa dele….e nada. Fomos até a padaria para um café. Lá entram na história a Maria e a Joana, que fazem o melhor pão da cidade. Eu, que nem gosto de café, me fartei com o delas.
Um pão francês quentinho com manteiga e café já adoçado estavam me fazendo esquecer que havíamos perdido a carona para o parque. Não é que de repente conhecemos um grupo que estava esperando por um guia para ir para o Parque.
O nome do Guia? Iraní.
Dos integrantes do Grupo? Gustavo, Mariana, Érico e Rafael.
Agora juntavam-se a eles Marcelo e Marcos.
Tudo bem! Mas cadê o Guia?
Depois do café a chuva deu uma trégua e voltamos a procurar o Iraní. Agora eram 6 a procura dele. Não o encontramos! Mas encontramos o Torres (um dos PMs da noite anterior, lembram?). Ele foi enfático.
Estão procurando um Guia? Taqui. Sr Wilson. O mais experiente da cidade, profundo conhecedor do parque, ex-garimpeiro, bom de papo e de canela. Na mosca. O grupo estava quase formado. Mas faltava um detalhe…… sétimo elemento que ainda viria!
E ela chegou, disfarçada de material de construção, ora desviando a cabeça dos caibros, ora se acomodando em meio a brita. Mas firme e forte no propósito de visitar o parque. Era a Samira, que chegava a São Jorge em tempo de juntar-se ao grupo.
Em poucos minutos todos estavam prontos. O manto sagrado do Flamengo que protegia o corpo do Sr Wilson deu lugar à camisa verde, oficial, dos guias do parque. Nós munidos de máquinas, água, Exposis e bastantes Supino da Banana Brasil (momento jabá) seguimos trilha a dentro. O resto da história vocês podem ler através das fotos……….
Ah! Lembram-se da cobra? Todos nós passamos sem vê-la e olha que ela estava bem diante dos nossos olhos. Sr Wilson, sem fazer alarde, nos disse que passassemos pelo local. Passamos e não nos demos conta do que estava por perto. Depois de passarmos ele disse: Olha lá. Em cima da pedra, ao lado do caminho. Aí foi um espanto geral.
Interessante que os encontros e desencontros nos reuniu nesse grupo muito ímpar, cercado de “coincidências”. Quando nos demos conta estávamos muito integrados, como se fôssemos amigos há muito tempo. Todos tínhamos o mesmo ritmo de caminhada e interesses semelhantes, o que é muito difícil de acontecer quando a gente se “infiltra” em um grupo para fazer caminhadas.
Quem viaja tem dessas histórias. Pessoas que passam por novas vidas e que infelizmente se vão com muita rapidez. Por um lado isso é bom porque faz os relacionamentos serem mais intensos. Ruím porque deixa muitas saudades. Espero que nos vejamos novamente em breve.

Santo Sr Wilson, 53 anos de Chapada do Veadeiros, ex garimpeiro, conhece a região como muito poucos. Atualmente é guia do parque e não quer mais saber de garimpo. A não ser que seja para contar as histórias da época. Quase no final da trilha ele me disse: - Lembra daquele bêbado que espantou vocês do bar? Pois é. Eu estava ao lado dele e ía abordar vocês para guia-los, mas como o íngua ficou perturbando, resolvi me afastar. Agora estamos aqui juntos. Era para ser…..e foi.
Lembre-se disso: quando for visitar um local procure um guia experiente. Quando for à Chapada dos Veadeiros procure por Sr. Wilson.
Esse artigo é dedicado a ele. Muito Obrigado, Wilson!
Um abraço.
às 16:38
admin
Nossa chegada em Marabá foi muito tranquila. Como disse, chegamos pela Transamazônica, e apesar de não haver terra nela por aqui, já foi uma grande emoção. Afinal o projeto começa a partir daqui. No total rodamos 3.098km e partimos do Rio de Janeiro no dia 19. Para quem está chegando no blog agora, estamos na estrada há dias, passamos por Alto Paraíso de Goiás e aproveitamos para conhecer a Chapada dos Veadeiros.
Em Alto paraíso realizamos uma sessão de cinema. Respondendo ao Marco Aurélio, foi o local da cidade aonde vimos mais pessoas reunidas. Tinha para todos os gostos. Famílias, namorados, crianças soltas, adultos desacompanhados etc. Todos ilustres!
Ao final da sessão fomos aplaudidos pela iniciativa, antes alguns se ofereceram para ajudar na montagem, as pessoas presentes no horário marcado escolheram o filme, muitas vieram conversar conosco sobre o projeto durante a sessão. Ao final do filme uma família inteira (Não lembro o nomes deles – se estiverem acompanhando o blog, por favor digam seus nomes e mandem uma foto) veio conhecer o carro e como viveríamos os próximos dias. Na hora da despedida fomos com vontade de ficar.
De lá fomos para São Jorge. Era para ser uma passagem e acabou levando um dia e meio que valeu muito. Depois descemos (ou subimos) para Minaçu aonde não conseguimos realizar a sessão para os Avá-Canoeiros e de lá pé na estrada para Marabá.
Chegamos aqui, arrumamos os últimos detalhes e já estamos de partida. Por falar em detalhes, vamos à Marabá:
Assim que colocamos o pé aqui fomos recepcionados pelo Junior Bacana (ironicamente da Funai). Botafoguense “roxo”, morou no Rio por 10 anos. Ele nos levou a sua casa, apresentou seu filho, seus troféus do convívio de vinte anos com os índios e nos levou ao restaurante do Cearense. Boa comida. Estávamos famintos.
De lá saimos correndo para resolver algumas coisas. A primeira delas era pegar os pneus Maxxis Mudzilla que estavam com o José Batista, amigo da nossa amiga Evanize Sydow, que os recebeu há quase um mês e cuidou deles com muito carinho.
Depois foi a vez do chiado da pastilha traseira, da desmontagem e montagem das rodas, de lavarmos as roupas sujas, de passarmos no banco, de revisarmos o carro, de almoçarmos, de procuramos um lugar para balancear as rodas, um lan house para atualizar o blog, de dar uma geral no carro, de vedar uns furinhos que encontramos. Ufa! Quase deu tempo para tudo. Teríamos conseguido se não fosse a falta de luz na cidade. Brincadeira. Quase tudo é verdade, exceto que teria dado tempo para fazer tudo. Nunca dá!
Em Marabá fomos recebidos muito bem desde o primeiro momento. Vou elencar: O Junior Bancana da Funai, o José Batista da Pastoral da Terra, Os oficiais do 52º BIS (Batalhão de Infantaria de Selva) que são os “únicos” que possuem Defenders por aqui, o Domingos da Casa do Borracheiro, o Thiago, o Samuel e a equipe da GL Pneus, o pessoal da Transportadora Bertollini, O Océlio, a Maria Luiza e a Letícia, o pessoal do Art Hotel, O “Abreu” e o Wanderson do Armazém Paraíba e todos os outros que conhecemos aqui. Resumindo. Estamos em casa!
Fico devendo três histórias. A do Océlio e sua família, como foi o caminho até Marabá e a odisséia dos pneus.
O Océlio ficou de pedir a Amanda, sua sobrinha, para acessar a internet e nos mandar uma fotos deles. Assim que a foto chegar eu conto a história.
Ontem Marabá ficou sem luz por algumas horas e sem internet e telefone até o final da noite. Queria ter publicado os textos ontem, mas não deu.
Daqui partiremos para Novo Repartimento. A partir de agora a coisa fica séria. Previsão de 200 mm de chuvas. Fevereiro é o mês mais chuvoso e passaremos todo ele no Pará. Devemos chegar em Jacareacanga no final do mês para fazer o Amazonas. O trabalho agora é de garimpeiro. Algumas pessoas daqui acham que encontraremos muito poucas famílias da época da implantação da rodovia.
Já está quase tudo pronto para partirmos. O Marcos ficou de fazer umas fotos de Marabá. A cidade tem uma parte bonita bem na beira do Rio Tocantins, na Marabá Velha ou Pioneira (como a chamam por aqui). É um misto de simplicidade da vida de pescador com progresso.
Quase não tivemos tempo de curtir a cidade. Ficamos quase todo o tempo por conta dos ajustes do carro.
Ontem fomos “brincar” carnaval, que aqui acontece em blocos que são muito pequenos, se comparados com os do Rio. Como não corremos atrás de abadás, ficamos do outro lado da corda. Até a hora que ficamos na rua vimos muitas famílias brincando juntas, muitas crianças e adolescentes também. Algumas coisas me impressionaram, mas as principais foram a presença da polícia, a “repressão” à venda de álcool para menores e apesar do grande consumo de bebida, nenhuma, ou melhor. Uma briga apenas.
Novo Repartimento nos espera. Foi dada a largada.
Até logo.
às 16:36
admin