Arquivo de Fevereiro de 2008
Meia noite, domingo. É, meia noite de domingo sim.
Voce já estava dormindo….esperando a segunda feira chegar….
Nós no meio do Rio Xingu, o Xingusão véio pros íntimos. Pescaria de “malhadeira”, duas canoas de dar medo de subir de tão pequenas, Galego, Parazão, Marcelo e eu.
Aí o Galego, enaltecendo a beleza e a qualidade de vida na região lançou: Moço, pense numa fruta bem doce!
Pausa! começo agora eu a pensar sobre o que o galego falou.
Pensou? Pois é. Este é o gosto da vida, da minha vida.
Pense num AMIGO fora do comum, desses que muitos queriam ter…
Pense numa FAMÍLIA que apoia e torce por cada milímetro deslocado, que está mais presente e perto do que nunca
Pense em PESSOAS que viajam nos sonhos e que torcem por cada passo dado, andam juntas e já conhecem nossos novos AMIGOS com muita intimidade.
Pense em APOIADORES que apostam na oportunidade de fazer algo para melhorar nosso País.
Faço minha estréia neste Blog, depois de um mês só nos bastidores da viagem e já chego cheio de vontades. A maior delas é a de agradecer as pessoas que conheci, que me mostram a cada dia a preciosidade do simples. Nunca me senti tão em casa quanto por aqui.
Pessoas que nunca nos viram abrem suas casas, suas vidas e partilham suas histórias. E olha que tem cada uma que dava filme, longa metragem do bons…
Então, pensou?
Marcos
26 de Fevereiro de 2008 às 22:05
admin
Atenção base! Base na escuta?
Passamos por aqui para dar sinal de vida. E que vida!
Vocês colocaram a pilha e nós fomos. De um dia viraram dois e as últimas 48 horas voaram nas águas do Xingu. Mas essa é uma longa história que há de ser contada com calma.
E não é conversa de pescador, Maira.
Bernardo….a vontade de levar a canoa é grande, mas decidimos deixá-la aqui para podermos voltar.
Paulinho….açaí com barbeiro? Pode deixar! não vou comer açaí por aqui……huuuuuummm!
Aline (Maneira), Angela e Claudinha……..que bom que embarcaram nessa viagem. Conto com vocês para continuarmos essa conversa via blog……
Turma……a Claudinha é nosso anjo da guarda em Altamira. Já apareceu num artigo, dando banho numa criança. O Marquinhos!
Essa é uma palhinha do passou. Chegamos da pescaria hoje às cinco da manhã, passamos aqui para dar um alô e dizer que tudo anda bem e agora vamos correndo para a Oficina do Bill (Depois contamos sobre esse figura de Altamira. Nosso anjo da guarda 2) arrumar uns detalhes no carro e arrumar as malas para partir. Com vontade de ficar, temos que ir.
Ainda hoje terminamos de contar a história do Xingu
Até já!
25 de Fevereiro de 2008 às 11:37
admin
Companheiros de viagem
Ontem ficamos ausentes resolvendo questões burocráticas (domésticas, na verdade), mas hoje estamos de volta. Primeiro vamos às notícias mais rápidas e depois volto à história da memória………
Em relação ao Busão, tudo resolvido. Desmontamos o cilindro mestre da embreagem e, por desencargo, decidimos trocar tudo. O mestre e o escravo. Para quem não sabe do que estamos falando, depois mando a foto do “mardito”. Por conta desses cilindros teremos que permanecer aqui em Altamira pelo menos até terça feira. As peças estão vindo do Rio. Achamos os cilindros em Belém, mas alguém os levou antes.
Passamos o dia de ontem e anteontem quase todo por conta disso. Fizemos da oficina do Bil a nossa. Depois mando foto dele e da oficina. Para continuar a onda de solidariedade que nos surpreendeu desde a nossa chegada no Pará, o Bil além de abrir as portas da oficina, nos levar para cima e para baixo procurando as peças, ainda nos ofecereu seu carro para não ficarmos a pé – se fosse necessário – e nos convidou para um pescaria no sábado. Acho que iremos sim!
Resumo da ópera: estamos esperando os cilindros chegarem, sábado e domingo será dia de pescaria e segunda de oficina. Terça voltaremos à estrada. Apesar de termos sido muito bem recebidos por aqui, já não aguentamos mais ficar parados.
As fotos da BR 230 para o Cesar Siqueira mando assim que der. Por falar nisso descobrimos o trecho mais estreito da Transamazônica desde Marabá. Amanhã passaremos por lá e faremos uma das últimas imagens desse trecho que será asfaltado no próximo verão (daqui). A 230 passa ao lado de Altamira, mas com esse pedacinho ainda não está asfaltado, “todo mundo” segue por dentro da cidade. Vocês verão em fotos o que estou falando.
As palavras do Paulinho estavam realmente inspiradas. Mais do que inspiração é o retrato fiel do que rola por aqui. Para quem está em casa, muitas vezes, é difícil perceber que em alguns momentos é necessário haver muito mais do que parceria para conseguirmos viajar juntos por tanto tempo, num espaço físico tão reduzido. Nesse caso Marcos e eu. Vocês são a energia que nos move e nos faz seguir nos momentos mais difícieis.
Altamira agora: essa é uma cidade ribeirinha. Acho que muitos já sabem. É banhada pelo Rio Xingu……….
E como toda cidade ribeirinha a relação com o rio é intensa
O rio é usado para quase tudo
Diz-se por aqui que quando a criança nasce já ganha uma canoa. Acho mais adequado dizer que ganham uma bicicleta. Vou procurar uma imagem de uma criança com um canoa. Ainda não vi. Talvez porque o rio esteja muito cheio. Mesmo assim vemos os meninos na maior farra no rio.
Passamos dias em Altamira e não foi fácil encontrar o monumento em homenagem à inauguração da Transamazônica. Até já tinhamos passado em frente e nem nos demos conta.
Mas……….está abandonado. Roubaram a placa informativa, o mato cresceu, ninguém visita e poucos sabem do que se trata.
É Chamado de “Pau do Presidente”. Seja como for……..
Em sinal de tristeza colocamos a bandeira a meio pau….quase um luto por conta da nossa falta de memória.
Altamira também tem seu “Cristo Redentor”. Aqui ele é chamado de Linhão. Monumento em referência ao tramo norte de eletrificação da região. Ganhou o ponto mais alto da cidade e hoje pode ser considerado um cartão postal de Altamira. Pelo sim, pelo não tem um visual muito bonito para o Xingu. Bom lugar para ver o por do sol.
Outras curtas………o Marcos foi entrevistado em um programa do canal local. Mas não vimos a matéria que já foi ao ar. A tv Altamira (Reccord) nos convidou para realizarmos uma matéria sobre o projeto. Se rolar será na segunda-feira.
Açaí não se acha aqui. Todos os dias batemos ponto das lojas que vendem e naaaada! Fora de época.
Segundo o Quincas o trecho entre Humaitá e Lábrea está “cortado”, como dizem por aqui. Se mais alguém conseguir informações sobre esse trecho, fique à vontade para enviar.
Oi Dri, assistimos ao vídeo no youtube, valeu pela pesquisa. Já estávamos com saudade. E vc, gostou do vídeo?
Por ora é isso. Vimos nos correios que a peça deve estar aqui amanhã e conseguimos uma ajuda na agência. Se tiver chegado um funcionário de lá irá quebrar o galho de nos atender amanhã, pois aqui a agência não abre aos sábados.
Nos falaremos mais tarde um pouco. Vamos preparar as ferramentas…..para a pescaria ou oficina….cara ou coroa?
22 de Fevereiro de 2008 às 19:58
admin
Companheiros expedicionários……….
Estamos bem. Ainda em Altamira.
Net muito lenta, não dá para atualizar o blog com fotos. Com texto já está muito difícil.
Assim que der, haverá novidades. Espero que hoje.
Fé e até logo.
às 14:00
admin
Queridos!
Hoje completa um mês que conseguimos começar a realizar esse sonho. Apesar das aventuras e desventuras (como disse o Demian), dos equipamentos que pipocaram (como disse o Bernardo), dos estranhamentos (como ressaltou o Quincas no texto do Saramago), da Luz Divina da Bete, da emoção que toma todos nós ao vivenciarmos essa histórias, das piadas do Waldir, da falta de lama, da comida diferente, da cama desconfortável, das horas de estrada, da chuva, do sol, da poeira, da saudade, da vontade de seguir, da de voltar, dos amigos que fizemos, dos que deixamos, dos lugares que visitamos, dos que não conseguimos, do dinheiro que faltou, do que entrou etc etc etc. tudo tem valido muito a pena. cada minuto, cada segundo, cada quilômetro, cada metro.
Dentro de poucos dias - mais um mês - estaremos de volta ao Rio de Janeiro e uma certeza que tenho é que nunca mais serei o mesmo. Espero que esteja um ser melhor!
Parece que nossa vida é um ciclo mesmo. 30 dias após a partida estamos de volta aos preparativos para uma nova partida. Em poucos dias deixaremos Altamira para trás e ingressaremos numa nova etapa da viagem. Acredito que mais selvagem e mais difícil.
O dia de hoje será tomado com ajustes no carro, afazeres domésticos e solução de pendências financeiras.
O melhor de tudo é saber que junto conosco há uma legião de pessoas nos apoiando. Continuem conosco e teremos a certeza de revê-los em breve.
Muito obrigado pela companhia!
19 de Fevereiro de 2008 às 15:00
admin
Amigos
Fiquei de voltar ontem, mas não foi de vontade da internet. Volto hoje com duas passagens muito importantes para nós. Algumas fotos retornam, agora dentro do contexto.
Portolan - A dica da embreagem é boa. vou seguí-la. Hoje vou sangrar o sistema e trocar o fluído. Não há vazamento algum. esse é o maior mistério. Nem no mestre e nem no escravo. O nível baixou tão pouco que não encontramos uma justificativa para a troca dos cilindros. A embreagem é nova, cerca de 35.000km. Estudei o manual de manutenção da defender e farei todo o procediemento. desde a regulagem. Caso não dê jeito vou trocar já os cilindros. Pro ora estamos querendo nos adiantar ao possível contratempo, pois apesar da embreagem estar funcionando normalmente, daqui para a frente não teremos mais os recursos que temos aqui.
Ester - A saudade também é grande para nós que estamos aqui. Mesmo com a incrível hospitalidade do povo Paraense (com maiúsculas mesmo) e dos aprendizados que essa viagem tem nos proporcionado, a vontade de nos deparar com a paisagem da Cidade Maravilhosa é grande. Agora falta pouco e sobre a saudade vou usar uma frase do Amyr Klink quando perguntado sobre essa questão. Ele disse mais ou menos assim: - Saudade só não sente se não se tem para quem voltar.
Quincas e André - Também estamos esperando tudo isso e achamos que o carro está muito limpo. Pensamos até em achar uma lama para jogar nele e tirarmos uma foto, mas tenho certeza que o Busão não aceitaria isso. O caminho está certo, mas o progresso parece que anda mais rápido do que nós. Soubemos que daqui para a frente o caldo engrossa. Veremos!
Bernardo - deixou essa para o Marcos responder
Maira - Sim essa é uma das vicinais. Essa foto foi tirada durante a fonte de inspiração para mais um artigo. O título já te adianto, mas o conteúdo ainda não foi escrito. Tudo começou com uma carona que tomaria cerca de 4km. terminou em 12km, mas valeu a pena.
Como a net anda muito lenta, não consegui postar todos os textos, mas ainda farei. Realmente essa boiada apareceu após a curva e ficamos encurraldos por eles. O jeito foi parar e esperar. Pena que a máquina não estava na mão pra tirar mais fotos.
Beatriz - Bem que disse que acompanharia a viagem conosco. Que bom que está acompanhando e gostando dos causos. mande, por favor, um aloha para o pessoal da Vicel.
Motta - Aquilo é um fogão muito louco que o Marcos descobriu na casa do prefeito de Anapu. Parece um vulcão, mas dizem que a comida fica muito gostosa. Voltaremos lá um dia para comprovar.
Soubemos que no you tube há um video falando sobre o Cinema na Roça. Quem tiver um tempinho de pesquisar poderia nos passar o endereço?
18 de Fevereiro de 2008 às 17:24
admin
Preciso dar uma parada! Assim que chegar o próximo Graal vamos dar uma encostada pra eu ir ao banheiro. Disse o Marcos em tom de brincadeira.
Não era bem um Graal, nem uma Dutra ou a 040. Mas era a 230 com seus encantos e segredos.
Paramos! Ao invés do Graal achamos o comercial Rodrigues. Uma venda na beira de estrada, aonde se compra de farinha à gasolina, que é vendida nos galões, garrafas e até em copo se quiser.
Saltamos e o Marcos não resistiu! Sabem de alguém que more aqui há muito tempo? Disparou. Chegar nos lugares é sempre um acontecimento. Desde que saimos de Marabá só vimos uma Land. Parece que é de Uruará. Ainda chegaremos lá!
Mas voltando à história, responderam para ele. Aqui?! Tem seu Zé Carinha e Seu Daniel, que já é morto. Eles chegaram aqui quando não tinha nada. E ainda não tem muito.
A referência da casa do Zé Carinha é a placa do Banco da Amazônia e o transformador. Fomos pela placa e……. casa vazia, trancada, empoeirada e parece que abandonada há tempos!
Antes de achar que o Zé Carinha havia saído da cidade sem deixar rastro resolvemos perguntar novamente.
Placa havia em duas, mas transformador apenas em uma. Paramos em frente.
- O sr é o Zé Carinha? Perguntei ao moço que descia da moto e a entregava a uma menina de uns 15 anos.
- Sou o filho dele, respondeu o Zé Carlos.
- E ele está?
- Tá sim. Vou chamar!
E veio um homem simpático e falante com as feições marcadas pelo tempo e pela vida. Agora sim tinha cara de quem havia chegado lá, pelas bandas de 1972. Sem muita cerimônia, embaixo de uma árvore que arrisco ser um pé de cacau – para dar graça à história – e espantando os mosquitos que não perdoavam os afoitos que tomados pela emoção desceram do carro sem passar repelente, desandou a contar a sua história.
Não podíamos perder aquele momento. Resistimos aos mosquitos e a conversa tomou uma dinâmica tão agradável que fomos lembrar dos mosquitos apenas mais tarde.
O destino estava selado. Passaríamos várias horas por lá! Seu Zé Carinha – engraçado chamá-lo assim – perguntou se já tinhamos almoçado e antes de respondermos nos tocou para dentro de casa e serviu um porco assado. O melhor até agora!
Quando entendeu o que pretendíamos agiu rapidamente. Hoje vocês ficam por aqui. Zé Carlos! Leve os meninos na sua mãe! Chame ela pra cá!
Chame também De Assis, as crianças…vá lá, vá!
Entramos no carro, eu e Zé Carlos. Enquanto isso o Marcos continuou na casa deles comendo, conversando e fotografando.
Ao chegarmos aonde estava a Dona Rosa, Zé Carlos não resistiu e foi brincando com a mãe.
- Mãe esse moço veio do Rio de Janeiro trazer notícias do Tio Francisco, sumido há muitos anos.
Elas estavam preparando um mingal de milho que quase desandou naquela hora. O silêncio foi grande! Dona Rosa me olhou com um olhar que marcaria nossa estadia, colocou a mão no rosto, apertou as bochechas e disse: não acredito!
Na mesma frase, meio sem jeito engatei: Ainda bem que a senhora não acredita, pois espero que o motivo da nossa vinda aqui tenha sido bom. Mas nem tanto quanto seria trazer informações dele.
O que parecia ser um momento tenso não foi. Logo largamos umas boas gargalhadas e o Zé Carlos foi quem abriu o coro. Ufa! Que bom!
E Dona Rosa ficou animada novamente ao saber da nossa idéia. Quase deu um salto da cadeira e pediu que as netas reunissem toda a família. Vamos lá! Avise ao De Assis, as meninas todas. Chame Geizyane, Nathyelle, Josivânia, Gleicyane, Jéssica, Mikaelle, Angélica, Caio…….anda, anda! Todo mundo. Vamos!
As horas passaram muito rápido, fizemos a foto, falamos da vida e resolvemos fazer uma sessão em Vila Nazaré. Acho que foi a sessão mais rápida de todas. Em poucas horas divulgamos a sessão, conseguimos o local, inflamos a tela, ligamos o som………..esse detalhe deixo para contar outra hora….. e eles escolheram o filme. A chuva chegou no final. Quase não atrapalhou. Era a nossa primeira em plena Transamazônica.
Paramos em Vila Nazaré para um descanso e encontramos essa família. Nos sentimos tão em casa que dormimos com eles. Peguei a galinha e Dona Rosa cuidou dela. À noite comi a melhor galinha da 230.
Vejam vocês. Nós pensamos que iríamos presenteá-los com a fotografia e nós quem ganhamos uma família. Fomos tão bem recebidos que ir embora foi muito difícil. Depois de lá já nos reencontramos algumas vezes. Umas 3 com o De Assis em Anapu e uma com a Dona Rosa em Altamira.
Dona Rosa tem o sonho de conhecer o Rio. Ela e “seu” Zé Carinha! Cicerone, casa e comida já têm. Ficou por conta deles marcar a data. Que seja breve.
Se você estiver na Transamazônica e for passar pela Vila Nazaré lembre-se: A casa do Zé Carinha e da Rosa é parada obrigatória.
Antes de partir ela nos disse: Sabe que na noite passada tive um sonho. Nele tirávamos uma foto com todo mundo aqui. Igualzinha a de um vizinho nosso, pra colocar na parede e ficar vendo. Agora já têm!
às 16:25
admin
“– Eu tinha 36 anos - quase a minha idade atual - e vi na revista uma foto daquela estrada”. Aquilo mudou a minha vida e ditou meus passos seguintes. Depois de muita conversa em casa – às vezes acalorada – e de noites sem dormir conseguimos arrumar as malas. Pegamos nossas coisas e as embalamos. Depois de fazer a nossa inscrição ficamos aguardando eles chamarem. Quando avisaram que o avião ia sair fomos para um hotel. tudo pago por eles! E pensamos que ia ser uma maravilha, tinha de tudo. Muita comida, tudo luxuoso. Que depois pagamos cada centavo.
No amarrado não podia faltar a rede, a panela e o facão que naquela época andava agarrado na cintura o dia todo. Hoje não mais, quase nem preciso dele!
Assim começou a conversa numa agradável varanda da casa do Sr. Luiz e da Dona. Raimunda, logo após a segunda ponte para quem vai de Anapu a Pacajá. Dona Raimunda entrou devagar na conversa dizendo que a memória já não ajudava mais a contar.
Vim porque tinha o sonho de dar à minha família mais do que tive. Não queria que meus filhos tivessem que comer “pau cozido” com farinha. Na minha cidade a seca era violenta e sem a chuva nada dava. Cansei de viver ao destino e resolvi pegar a estrada.
O tempo passou rápido e vi muita gente voltar ou morrer. Eu mais minha família fomos ficando e luntando com as dificuldades. Naquela época o mato era fechado e nós tampávamos mata a dentro, dia e noite para preparar a terra (e virava o olhar para as mãos calejadas e marcadas pelo tempo). Mogno mesmo eu nunca vi nas minhas terras! Agora tinha muio pau grosso aí pra dentro.
Eu mesmo me livrei de morrer uns par de vezes. Malária aqui espantava todo mundo. Teve vez da família inteira ficar de cama sem poder parar de trabalhar. Tinha horas que pensávamos que viemos pra cá pra morrer. Mas naquela época nós era forte e hoje estamos aqui.
Os filhos já caíram no mundo. Um vive aqui outro acolá. Da terra, só nós mesmo que tiramos o sustento. Nós mais o Evandro, nosso neto e filho.
Entre uma lembrança e outra o tempo foi passando e fomos nos embrenhando na história de mais uma família que havia largado o seu passado para começar tudo novamente. As vezes a memória falhava e, como o rebubinar de uma fita, voltávamos tudo ao começo. Aquela história parecia não me cansar nunca. Tinha a impressão de que passaria todos aqueles anos com eles para ver com os meus próprios olhos. Mas a riqueza de detalhes com a qual o Sr. Luiz contava a história era tamanha que sentia as dores e alegrias que sentiram.
Depois de umas horas de conversas me sentia parte daquela família. Daí fomos conhecer o cacoal deles. O cacau começou aqui com o Zé Carinha. Eles (INCRA) tinham umas linhas de plantio. Só depois que fizeram a experiência com o cacau.
No início eu plantei feijão. Mas não deu bem! Perdi tudo na primeira safra. Na hora de passar o fogo choveu sem parar e ficamos quase seis “meis” com chuva direto. Amargamo quase um ano vivendo de caça e lutando com as doenças. Mas hoje estamos aqui.
Essa história se prolonga por toda a tarde. Já havíamos perdido a hora de irmos embora de Anapu. Mas quem se importava com isso? Eles queriam que ficássemos, nós também. Mas a 230 nos esperava. Outras histórias como essas se escondem nas curvas da estrada.
“Vocês são os primeiros. Não! Nesse tempo todo veio uma outra moça saber da nossa história”. Mas com ela foi rápido. Vocês são a segunda pessoa que vem aqui se interessar pela nossa história. Foi um prazer contar!
Mal sabe ele que o prazer mesmo foi ouvir. E ouviria muito mais. Passaria dias vivendo aquela história. Dona Raimunda, Sr. Luiz, Evandro, Regiane e Francisca (a Goiana) fazem com que os quilômetros e a saudade que sentimos de casa sejam minimizadas.
Depois voltamos…………
às 16:00
admin
Olá Pessoal.
Depois de ficar de castigo por não conseguir conectar ou conexão que permitisse atualizar o blog, hoje será dia de atualização.
Uma boa notícia é que passarei bastante tempo conectado e pela primeira vez estamos on line. Não dá para pensar em Skype, mas………
Em relação ao carro, é precaução. O pedal da embreagem cedeu um pouco, mas está tudo funcionando bem. Estamos pensando em comprar os cilindros para levarmos de reserva.
Já estava com saudades desse blog atualizado com frequência e por mais incrível que pareça, logo após a nossa conversa sobre a disponibilidade de acesso, deu no que deu e ficamos sem internet. Será que falamos cedo demais?
Bom! Resgatando estou em falta com artigos sobre a saída de Pacajá, Sobre a família do Sr. Zé Carinha e da Dna. Rosa em Vila Nazaré, sobre Anapu, sobre o trajeto entre Anapu e Altamira e sobre Altamira. Se eu estiver esquecendo algo, me ajudem.
À medida que eu termine de escrever, publico os artigos. Se eu estou em falta com respostas a alguém, digam-me também.
Volto já
17 de Fevereiro de 2008 às 13:56
admin
Personas
Deixamos Anapu debaixo de muita chuva. Parece que agora ela chegou.
Depois de 4 horas de viagem colocamos os pés em Altamira. Assim que chegamos começou a correria para conseguirmos resolver alguns detalhes antes do comércio fechar.
Pensei que a internet aqui fosse mais rápida, mas por enquanto nada!
Agora que está quase tudo encaminhado por aqui vamos procurar um local para dormir. Em Altamira são 19:00 e o tempo continua chuvoso.
Enquanto estivermos por aqui colocarei os artigos em dia. Quero contar das sessões de cinema, das pessoas que conhecemos, de Anapu, da chuva e tudo mais que der.
Estamos bem e sabemos que ficaremos por aqui até terça feira, pelo menos. O problema da lente da câmera foi resolvido e ela talvez chegue aqui na segunda.
A BR 230 aguentou bem a chuva e não tivemos grandes dificuldades para chegarmos. Em relação às escolas, até que já presenciei situações muito piores do que as que encontrei aqui. Hoje havia umas sete crianças voltando a pé da aula sob o maior toró. Aqui as distâncias são muito grandes, mas estas iam andar pouco para chegar em casa. Cerca de 2 km.
O maior problema não é a distância e sim as condições das vicinais, pois quando chove o piso fica muito liso e o transporte escolar não consegue chegar até a casa das crianças. Vale lembrar que aqui chove quase o ano todo.
Promessa feita, será cumprida.
Vou encontrar um lugar para dormir. Hoje não devo voltar à lan, mas já já haverá novidades.
Té logo!
15 de Fevereiro de 2008 às 20:20
admin
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