Sob o pretexto de estar esperando o Busão chegar, que demorei tanto tempo para escrever esse artigo. Estar de volta ao Rio de Janeiro e nos braços da família reúne tranquilidade e inquietação.
Chegar de uma viagem de 80 dias, dos quais mais de 60 foram passados na Amazônia é algo mais complexo do que voltar da Disney, da Patagônia, do Nordeste ou de tantos outros lugares nos quais já estive.
Desde que voltei da Amazônia vivo um misto de querer ficar em família e de voltar para lá. Como disse meu amigo Adilson, de Porto Velho, são os Deuses e Espíritos da mata. Devem ser!
Essa viagem foi a mais social que já fiz. Apesar de ter conhecido muitas belezas naturais, as maiores belezas que tive a oportunidade de vivenciar foram as pessoas que conheci.
Bom! De volta ao Rio tento me envolver com outros projetos na tentativa de não permanecer viajando. Ou na tentativa de fazer essa viagem durar um pouco mais……….
Como prometi, estou colocando no ar o último trecho da viagem e fiz um resumão saindo de Apuí e indo até Porto Velho. Já decepcionando uma parte da tripulação, não tenho registros fotográficos de Apuí – perdi as fotos – e de Porto Velho – não sei aonde estava com a cabeça –. Mas tentarei mostrar como foi o “trecho” assim mesmo.
De Apuí vale deixar um registro muito importante: O xará Marcelo Fuzinato da Gaia Expedições (www.gaiaexpedições.com) foi super amigo. Ligou de São Paulo para o seu amigo Marquinhos, que mora em Apuí e o Marquinhos, por sua vez não aquietou enquanto não me encontrou na cidade e me ciceroneou. Uma senhora força! Dizem por Apuí que o Marquinhos será o próximo Prefeito de lá. Boa sorte e muito obrigado ao Xará e ao futuro Prefeito.
Saí de Apuí com a intenção de chegar até a balsa de Matá Matá e dormir por lá. Eram 4 da tarde e até daria uns 100km mais ou menos. Enrolei um pouco na cidade, passei numa oficina pensando em cortar o cabo de aço do guincho traseiro que estava puído. Resolvi não cortar e segui. Saí um pouco depois do ônibus e em poucos metros o passei.
Cheguei na balsa ao anoitecer. Que bom! Um caminhão boiadeiro ficou “entalado” na rampa da balsa quase o dia todo. Mesmo que tivesse chegado cedo, passaria o dia esperando. Quando cheguei ele ainda estava lá. Saiu tarde da noite.
Ao chegar conheci três figuraças que estavam de castigo com seus caminhões na beira do rio Airupanã, por causa do caminhão entalado do outro lado.
Eles são Udson, Cobra e Paulinho…nessa ordem. Sairam de Rio Branco, no Acre, e foram até Apuí pegar uma carga de madeira. Também estavam a caminho de Humaitá e depois de muita conversa e de me darem uma aula de rádio amador decidimos sair cedo no dia seguinte para passarmos logo na balsa, antes que outro “entalasse”.
Como o rio estava muito cheio, a balsa não podia encostar no “ancoradouro” e os carros, digo, carros, caminhões, caminhonetes, carretas, ônibus, bicicletas, motos e tudo mais tinha que embarcar na balsa com água nos joelhos (na altura dos meus, é claro!).
A balsa “dormiu” do outro lado do Aripuanã e logo pela manhã a dúvida……..será que vai subir?
Será que vai descer?
Mas com uma ajuda do pessoal, desceu.
Agora era a nossa vez……..
Ops! Eles não. Esses estavam muito bem. Como ia dizendo, a nossa vez!
O Udson quase passou! Com o caminhão tracionado quase deu. Ficou faltando um pouquinho. Esse pouquinho ele foi com a ajuda do Busão, que já havia descido. Ah! Lembram do cabo de aço que resolvi não cortar em Apuí? Foi cortado agora. Mas ganhou uma mão de amigo que ficou show de bola. Melhor do que se tivesse cortado na oficina. Depois veio o Cobra e……
No que meteu a “cara” do caminhão na água e acelerou, lá se foi a ventoinha. Para quem não sabe é um ventiladorzão que ajuda na refrigeração da água do motor.
Do lado de cá do rio, entrou em cena o Mercedão que o Udson pilotava e com um cabão de aço puxou o VW do Cobra.
Restava o Paulinho que já ressabiado colocou o párachoque em cima da carga e seguiu com o caminhão com cara mau….
Também ficou na água…
Nessa brincadeira levamos duas horas para descermos todos os possantes da balsa. No fim eu perguntava ao Udson em quanto tempo ele achava que chegaria em Humaitá e ele nem se arriscava em uma previsão.
Depois que passamos todos pro lado de cá do Aripuanã, fomos dar um jeito na ventoinha do Cobra. Do caminhão dele!
Ficou meio avariado, mas decidiu tentar seguir viagem. Em suas contas o valor do frete já quase não compesava mais a viagem. Por isso que muitos se negam a trafegar por aqui nessa época.
Como o comboio andava mais lento, segui o estradão. Estava só novamente…..
Cheguei no 180. Isso é: Faltavam 180 km para chegar em Humaitá. Lá resolvi dar carona para uma família. Isso mesmo!
Samuel, Agenilda e as crianças. Em resumo, foi a minha chance de retribuir toda a hospitalidade das pessoas ao longo da viagem.
Apesar do sacode sacode na estrada, dos atoleiros e da noite dormida…
…debaixo desse telheiro conseguimos chegar em Humaitá no dia seguinte.
Chegando lá descobri uma cidade interessante. A única aonde se orienta a…..
Mesmo assim…….
Humaitá é uma cidade de fácil acesso. Por rio está ligada a Manaus e demais ribeirinhas, há vôos regulares e uma estrada de burasfalto que a liga a Porto Velho. Muitas pessoas na cidade usam a bicicleta. Não há transporte público regular, mas também há muitas motos.
Esses são o Diogo e o Chaguinha. O Diogo é o secretário de Educação e o Chaguinha assessor de comunicação. Os dois são gente finíssima e, se achei humaitá agradável, como achei muito, parte da responsabilidade é dos dois. Não mediram esforços para agradar. Fizeram questão de apresentar a cidade, como se quisessem que eu fosse morar lá….me receberam de braços abertos, renderam o maior papo, me apresentaram o prefeito Roberto Cury, com quem também rendeu o maior papo e assim foi……….Falaram assim: - Quer conhecer humaitá?
Então entra aí na voadeira e veja que tem a vista da cidade diretamente do Madeira……..
Tem as balsas de garimpo…….
Tem a madeireira nas margens do rio……..
Tem árvore cheia de frutos…..
Tem gente que leva açaí para o mercado. E eu que comprava todos os dias…….
Tem gente que chega…….
E que vai embora……..
Epa! por falar em ir embora….já estava esquecendo e quase fiquei. Mas lá em Humaitá achei que já estava muito perto e precisava conhecer Lábrea. Até nisso o Diogo me ajudou. O Chaguinha estava todo animado para ir. Diogo nem tanto e resolveu encontrar alguém para ir comigo.
Antes disso andamos pela cidade inteira especulando como seria chegar até lá. Uns diziam: dá pra ir. A maioria dizia: não passa!
- Quem vai? Eu queria saber
- O Maloteiro, alguém falou. Mas as balsas são dele e para passar só com autorização.
- E aonde está o Maloteiro?
- Sei lá! Acho que tá pra lá.
- Mas quem sabe?
- Já foram na casa dele?
E fomos. Diogo e eu. Eu para me convencer de que era possível. Diogo para tentar me mostrar que era melhor ficar. Ao chegarmos na casa do Maloteiro não vi o carro dele. Mau sinal! Entrei no terreno, assim meio sem graça, bati palmas e nada. Gritei e nada. Fui entrando e torcendo para não ter um cachorro bravo. Medi bem a altura da mureta e pensei meu plano de escape.
Cheguei até a porta da casa e ninguém percebeu. Quando falei oi o susto foi geral. Deles com o meu oi e meu com o susto deles.
- Tudo bem? Desculpe invadir a sua casa. É aqui que mora o Pedro, o maloteiro?
O slilêncio entre a perguanta e a resposta parecia uma eternidade. Daí a moça morena ajeitou a criança a qual dava de comer, me olhou meio desconfiada e disse:
- Aham!
- E ele está? Perguntei.
- Ah, ah!
Comecei a achar que o Diogo estava certo, mas antes disso resolvi tentar mais algumas perguntas e saiu:
- Sabe me dizer se ele está pra Lábrea?
- Está sim. Foi com o pai dele e só volta na segunda-feira.
Isso era no sábado. Pensei comigo mesmo que não daria para esperá-lo. Meu dia de ir era aquele e resolvi perguntar se ela conhecia a estrada, se sabia se era muito ruím mesmo, se realmente não dava para passar, se as balsas eram deles mesmo e se ela poderia dar uma autorização para eu passar nas balsas.
Ela não foi muito animadora. Disse-me que o achava que o marido ía “praquelas” bandas porque era louco e que a autorização era só com ele.
Mesmo assim decidi tentar. O Diogo desistiu de me fazer desistir. Achou o Paulinho que falou que iria amarradão. Fiquei desconfiado do Paulinho topar amarradão, mas falei com ele para arrumar a bolsa que a gente precisava sair em 15. Demorou um pouco mais, mas ele foi rápido!
O Paulinho apresento já já. Primeiro vou mostrar, mais ou menos na ordem, como se chega em Lábrea……….
Primeiro você anda um bocado numa estrada meio esburacada. Quando já está cansado da estrada vem a…..
Balsa do Ipixuna. Essa é rápida! Depois você passa pelo Estreito – guardem esse nome – e chega do lado de cá do Açuã…
Daí você espera
Espera
e espera…..
Daí, chega o Mineiro …….
………e diz que não vai te atravessar, que o rio está muito “brabo”, que a correnteza está muito forte, que isso não é época de passar de carro por lá, que você está louco e que para conseguir atravessar a balsa com um carro pesado desse iria precisar de mais dois barcos.
Só a minha rabeta não dá conta……..depois de muita conversa….
Você espera mais um pouco até ele voltar com os barcos….enquanto isso almoça…
descansa….Aí ele chega com os outros barcos….
Começa a maior faina para atravessar. Você começa a achar que está louco mesmo, que a balsa vai ser levada pelo rio…….
…..um dos barcos quase afunda. Mas dá tudo certo e você segue em frente.
Segue, segue, segue até chegar no Mucuim.
Chegando lá você chama o Sr. Zé Balseiro, muito bem humorado e …
Espera. Ele atravessa o rio Muicuim numa canoinha, chega rindo, diz que já estava esperando por você, que o maloteiro já tinha falado da Toyota que viria. Opa! Toyota?
Daí ele percebe que o carro não é a Toyota, leva você para o outro lado do Rio para falar com o Maloteiro, pois a balsa é dele. Nisso o Maloteiro chega, diz que o Toyota desistiu de ir, faz a maior festa, diz que você é maluco. Que nem ele passa no estreito naquele horário, ainda mais na primeira vez, que você – desculpe tripulação do blog – deve ter o “saco roxo” e……..que talvez a balsa aguente o peso do carro.
Falou o Pedro, vulgo Maloteiro: - Vamos fazer um teste? Vamos ver se ela aguenta. Mas antes você…….
Depois
Daí ele – o Maloteiro – mede para ver se a balsa vai aguentar o seu carro….
E ela aguenta. Daí, ele fala pra você seguir em frente que a próxima balsa fica há mais 40km à frente, que a estrada é boa e que pode tocar.
Você toca, segue em frente, mas já olhando pro relógio e resolve acelerar para ganhar tempo e…….
Carái……quase capota o carro!
Isso não!
Daí você sai do carro de mansinho e torce para não ventar e nem chover, senta do outro lado da estrada desolado, fica com vontade de ir ao banheiro, com a boca salgada, se chama de burro, se dá conta de que nada disso resolve. Decide passar o cabo do guincho pelo bagageiro para segurar o carro enquanto termina de descer o barranco, arrebenta o cabo do guincho traseiro, passa o do guincho dianteiro, gasta duas horas para tirar o carro intacto e segue viagem…..
Chega na Balsa do Marí…
Conhece o Iran e puxa a balsa para o lado de cá
Só que a noite…….
Depois continua seguindo e chega no Paciá, conhece o Evandro e….
atravessa a última balsa. Contou 5? Então está certo! Daí para frente é moleza. Faltam 36km para Lábrea. Depois disso tudo, mais fácil do que ouvir uma criança dizer que não gosta de jiló.
Agora só falta………
Acordar e seguir viagem.
Vruuuuuuuu. Voltando a fita! Há um pequeno detalhe. Lembram do estreito? O Paulinho já apareceu umas duas vezes. O estreito nenhuma. Vou apresentar o estreito primeiro, pois pulei essa parte da receita de como se chegar a Lábrea.
Primeiro você espera anoitecer………
Ops! Acende a luz aeeeeeee……e
atola e desatola
Atola novamente e cata uma árvore. Torce para ela aguentar!
Segue em frente e…….
atola novamente. Ah! Sempre que atolar, lembre-se de desatolar. Depois você fica morto de cansaço e dorme.
Acorda, nesse estado, dentro do carro e…….
Atola novamente
E mais uma
E mais uma. Perái! Dá pra ao menos lavar o rosto e escovar os dentes?
E tomar café?
Olha aí o Paulinho! Mas porque está tomando café da manhã aí?
Ah, não! Atolou mais uma vez!?
E mais uma……
Agora chega! Já dá para seguir viagem,
revisar as cicatrizes
e chegar em
Ufa! Dois dias para percorrer os 210 km no Gps e 238km no odômetro. O carro fez uma média de 4,5km/L e passou duas horas ligado para circular um ar dentro dele. Estava naquele estado!
Agora bastava fazer o caminho de inverso e poderíamos voltar para casa.
Chegando em Lábrea me tornei o homem da meteorologia. Não desgrudava o olho do céu. Estava preocupado com o caminho de volta. Caso chovesse mais poderíamos ficar presos em Lábrea. Tentei todas as opções de retorno e, exceto se eu quisesse deixar o Busão por lá, para buscá-lo em agosto ou setembro quando tudo está seco, a única saída era o caminho de ida.
Mas nos dias que passei em Humaitá também me senti em casa. Logo que chegamos o Jesus, secretário de Educação, nos recebeu como seus convidados. Os amigos do Paulinho como irmãos. Ficamos as primeiras noites no Hotel Lábrea e a última na casa do Frank.
Chegando lá fomos direto para a
Consertar o alternador que pifou novamente. As escovas acabaram! Depois fui cuidar da máquina
Nesse meio tempo, entre ir pra lá e pra cá, descobri uma Lábrea muito interessante. Aprendi que mesmo no trapiche há lugar para “estacionar”
Para cultivar
Para a fé
Para a oficina
Para brincar
Com mais amigos
Para fazer entregas
Para pescar e brincar
Para consertar rabetas
Para almoçar
Para fazer mais amigos
Esse é o Chico do lava à jato que precisou de dois dias para deixar o Busão assim
Também aprendi que lá muitas coisas começam assim
E se transformam em
Ou em
Que viram
Que geram
Que começam cedo
Quem nem sempre estão aonde gostariam
Mas que gostam daqueles que cativam
Que conquistam aquilo com o que sonham
Que sonham enquanto fazem o que podem
Que pensam em voltar para casa
Que deixam amigos por onde passam. Esse é o companheiro Paulinho!
E que voltam porque têm para quem voltar!
Mas antes de voltar eu ainda tinha uma missão:
Chegar ao final da Transamazônica. Aqui termina a BR230. Daqui para a frente somente navegando pelo Rio Purús. Não adianta. Não há mais mais caminho. Foi muito bom, mas é hora de Voltar.
FIM DA LINHA!
Aos que participaram dessa odisséia.

Abreu e o Wanderson do Armazém Paraíba (Marabá)
Adilson Siqueira de Andrade,
Adilton (Pacajá)
Adriana Lyra,
Alaor,
Alessandra, Sr. Wilson e Marta – HR
Alexandre (Jeep Clube – Porto Velho)
Alexandre do lava à jato (Lábrea)
Aline
Aline Pessanha (Champion)
Aloysio Sodré,
Amaury,
Anajô,
André Martinelli,
André R. Ribeiro
Andrevânia (Sucunduri)
Angela (Goiana-Carioca)
Angela Sugai
Anne – Beco do Alemão
Antonio Roque Longo (Prefeito de Apuí)
Antonio, Jaqueline e David (Art Pães – Brasil Novo)
Arinaldo (Medicilândia)
Augusto (Altamira)
Aurivaneide da Mata Cavalcanti (Medicilândia)
Bacabau (Humaitá)
Baianinho (Pacajá)
Beatriz
Belinha (Pacajá)
Bernardo
Bete
Bigode (Sol Nascente)
Bil (Altamira)
Capucho do casquinho (Lábrea)
Carlos (Prefeito de Jacareacanga)
Carlos (Uruará)
Cesar Siqueira
Cezão
Chagas (Brasil Novo e Medicilândia)
Chaguinha (Humaitá)
Chico Tozetti (Pacajá)
Cícero (IBAMA)
Cláudia
Cláudia Mello e Marquinhos (Pacajá)
Curuá (Roberto), Vitória, Bebê (Vitor) e Mara (Sol Nascente)
Daniel
Daniel (Apuí)
Daniel Ulian (Medicilândia)
Daniela, Fernanda e Carolina (São Paulo)
David L Marcelino - Camel Trophy Brasil
Demian Mota Coqueiro
Demian, Soraya e Laila
Diogo (Humaitá)
Divinaldo (Alto Paraíso)
Dna Eurídice e Mazinho (Sr. Osmar) (Agrovila Castelo Branco)
Dna Maria (Pacajá)
Dna. Maria, Sr. José Mascate e Sr Antonio do DNER (Maracajá)
Domingos da Casa do Borracheiro (Marabá)
Dona Joana (Vila São Jorge – Itaituba)
Dona Joana (Vila São Jorge – Itaituba)
Dona Raimunda, Sr. Luiz, Evandro, Regiane e Francisca (a Goiana) (Anapu)
Dona. Antonia (Altamira)
Dona. Maria José e Sr José (Brasil Novo)
Dudu (Vila São Jorge – Itaituba)
Elefantinho (Jacareacanga)
Elenir
Elenir (Medicilândia)
Elizabete
Erico e Mariana (Botucatu)
Esmeralda (São Paulo)
Ester
Evaldo (Niterói)
Evandro (Rio Paciá)
Evanilde, Daniel, Lucas, Maria Eduarda e Sansão (Tocantins)
Evanize Sydow (Rio de Janeiro)
Fábio e Solange – Botas Nomade
Fabricio
Fabricio Assis Carvalho
Fausto (Alto Paraíso - Macaquinhos)
Fernanda
Fernandinho e Artur – Brazil Tires
Flavio (Altamira – Amigo do Marcelo de Macapá)
Francisco (Jacareacanga)
Francisco e Aline – Champion Technologies
Francisco Ruiz (Presidente da Comunidade do 28 – Itaituba)
Franco – Ensimec
Frank (Lábrea)
Galego (Altamira)
Getúlio (Alto Paraíso)
Gilmar (Filho do Prefeito de Jacareacanga)
Glei-so (Índio Mundurucu)
Grande (Brasil Novo)
Grande (Manicoré, quase Apuí)
Gulherme Ávila – Globalstar
Gustavo – BY Roupas
Gustavo (Gaúcho – São Jorge)
Gustavo Diehl
Helena do bar (Jacareacanga)
Helenita
Hugo Deleon
Ilze & Portolan
Índio (Rio Mucuim)
Iran (Rio Marí)
Isabela
Janete (Hotel Macedônia – Humaitá)
Janice
Jeromé (Francês/Carioca)
Jessé (Jeep Clube – Porto Velho)
Jesus (Secretário de Educação – Lábrea)
Joandina
João do lava à jato (Medicilândia)
João Felipe – Hipull
Joao Francisco
João Paulo (Medicilândia)
Joao Pedro (Guapimirim)
Joel Cury (Humaitá)
Joelmo
Joelmo Tavares
José Batista (Marabá)
José Batista da Pastoral da Terra (Marabá)
Josiel
Jr, Bela, Olavo, Frida e Sofia
Julia
Julia martinelli
Juliana
Juliana – Banana Brasil
Júlio Cesar (Lábrea)
Junior Bancana (Marabá – Funai)
Juvenal (Alto Paraíso)
Karina (Lábrea)
Kelly (Medicilândia)
Kiko
Leila e Zé Carlos
Leonor Bianchi
Levy (Brasil Novo)
Lilyen
Luciano Maia
Lucy
Luís (Jatô Restaurante)
Luizinho
Maira
Maira e Joana (Padaria – São Jorge)
Maradona (Lafaiete)
Marcelo
Marcelo (Irmão da Mariza – Altamira)
Marcelo (Sobrinho do Bil – Altamira)
Marcelo (Uruará)
Marcelo Fuzinato – Gaia Expedições
Marcelo Leitão –
Marcelo Santos
Marcia
Marcia (Km 85 – BR230 AM)
Marcio (IBAMA)
Marco Aurélio
Marcos
Marcos (Águia)
Mariana
Mariana Martinelli
Mariana, Manoel e Sonia (São Paulo)
Mariza e Carlos (Altamira)
Marquinhos
Mary Marrenta
Médicos da Terra
Melissa (Paulista/Francesa)
Mineiro (Rio Açuã)
Neila (Tocantins)
Nilde (Lábrea)
Nonato (Jacareacanga)
Norton
O Océlio, a Maria Luiza e a Letícia (Marabá)
O pessoal da Transportadora Bertollini (Marabá)
O pessoal do Art Hotel (Marabá)
Odomar (Apuí)
Orlando José da Silva (Caminhoneiro, São Paulo – Pacajá)
Os oficiais do 52º BIS (Batalhão de Infantaria de Selva - Marabá)
Palmieri – Kampa Equipamentos
Parazão (Altamira)
Patrick (Humaitá)
Paula
Paula Salomão
Paulinho (Humaitá)
Paulinho da padaria (Lábrea)
Paulinho Mangueira
Paulinho, Cobra e Udson (Rio Branco)
Paulo – Exposis
Paulo (Guia – Alto Paraíso)
Pedro, o Maloteiro (Humaitá)
Plácido (CIVAM Jacareacanga)
Prefeito Edmir (Pacajá)
Professor Francisco (Vila São Jorge – Itaituba)
Rafael (Carioca – São Jorge)
Raimundo, o Black (Apuí)
Raphael Oliveira
Raquel (Guapimirim)
Raquel
Regina e Claudinez – Aliança Offshore
Rico do lava à jato (Lábrea)
Robinaldo (Lábrea)
Rogerio
Rogério (Sub-oficial da Aeronáutica – CIVAM Jacareacanga)
Ronaldo (Altamira)
Rosi
Rosilane
Sabrine (Carioca)
Samira (Carioca – São Jorge)
Samuel, Agenilda e Crianças (Km 180 – BR230 AM)
Sandra (Medicilândia)
Sandra (Secretaria de Educação – Itaituba)
Sandra Vale
Selma (Alto Paraíso)
Sergio Paz
Severino (Rio Ipixuna)
Shayla (Km 85 – BR230 AM)
Sheyla (Altamira)
Silvio (Altamira)
Simone Maia
Solano (Jeep Clube – Porto Velho)
Sr Luiz e Dona Terezinha (Km 85 – BR230 AM)
Sr. Adriano (Cacique Mundurucu - Itaituba)
Sr. Darcy (Humaitá)
Sr. Jorge, Bebê, Ted, João e Jabá (Oficina I P Ramos – Lábrea)
Sr. Manoel Crispin e Dona Elma (Medicilândia)
Sr. Raimundo Bueno (Matá Matá)
Sr. Zé Pixi (Vice Prefeito de Jacareacanga – Índio Munduru)
Sr.Wilson (São Jorge)
Sula (Km 85 – BR230 AM)
Taísa
Thiago, o Samuel e a equipe da GL Pneus (Marabá)
Tia Rosinda
Tina (Cadela – Alto Paraíso)
Tio Quincas
Toninho (Alto Paraíso)
Toninho (Jeep Clube – Porto Velho)
Torres e Santos (PMS – São Jorge)
Tuti cunhado do Levy (Brasil Novo)
Uzalda (Secretaria de Educação – Itaituba)
Vagner Pontes
Valcinei ou Valci (Manicoré, quase Apuí)
Velho (Km 85 – BR230 AM)
Vito Diniz
Waldir
William Siqueira
Wilson (Uruará)
Wliana (Medicilândia)
Zé Balseiro (Rio Mucuim)
Zé Carinha, Dna Rosa, Zé Carlos, De Assis, Geizyane, Nathyelle, Josivânia, Gleicyane, Jéssica, Mikaelle, Angélica e Caio (Vila Nazaré)
Zenon (Jacareacanga)
e a infinidade de amigos que ficaram no anonimato.

Para quem ainda não sabe….esse é o Marcos
e esse o Marcelo.
Muito obrigado!
24 de Abril de 2008 às 14:07
admin
Alto lá Pessoal….Parte da família já voltou, mas ainda há quem ainda não!
Como havia dito, iremos continuar na viagem até que o Busão chegue no Rio. Até lá ainda temos alguns dias e muitas passagens.
Para quem pensou que iria ficar órfão do blog mais animado da internet (noooooossa), aí vai um alento. Ainda temos muito a dividir. Vejam só: De Jacareacanga fomos para Apuí. De Apuí para Humaitá. De Humaitá para Lábrea e de Lábrea novamente para Humaitá.
Depois disso ainda fomos para Porto Velho. Acho que vai dar para nos distraírmos um bocado, até descobrirmos no que dará depois.
Se a internet lenta foi um motivo de tristeza durante a viagem, agora veio a resposta. Se isso não tivesse acontecido, nossa viagem terminaria mais cedo…….Vamos andando!
Essa foi a imagem do domingo de Páscoa.
Vinha, eu, atrasado por conta do forró da noite anterior, quando me deparei com o “cintura fina”. Um trecho de atoleiro sem escapatória, numa subida no sentido Jacareacanga para Apuí. Deu no que deu! Vacilei, atolei e fiquei duas horas sozinho desatolando o carro. Consegui sair, mas já sabia que não chegaria a tempo de passar na balsa do Sucunduri.
No caminho o ……
Ainda bem que era apenas o rio, pois os piuns – mosquitos minúsculos – de verdade já tinham feito a festa nas minhas pernas lá no cintura fina.
Por falar em atoleiro, cheguei no 150. Quer dizer: ainda estava há 150 km de Apuí. Cheguei às 16:47. Na hora em que o trator estava trabalhando.
Depois de filmar e fazer algumas fotos fiquei todo empolgado com a minha vez de cruzar o atoleiro.
– Não acho que vou precisar do trator, não. Disse ao Grande. Pedi ao Valci que filmasse e fui em frente. Fui tão rápido que esqueci de entregar a câmera. Passei numa balada só. Quando cheguei do outro lado me dei conta de que tinha esquecido de entregar a câmera. E agora?
O jeito é voltar no tempo. Então vamos lá:
Esses são o Grande e o Valci
Eles trabalham em uma fazenda há uns 5km do atoleiro. Nesse dia estavam fazendo plantão com o trator. A regra é simples: ficam com o trator ao lado do atoleiro e quem acha que não conseguirá atravessá-lo, paga e é puxado. Nos conhecemos assim. Eles no final de mais um expediente e eu procurando um canto para encostar.
Passei o atoleiro e ofereci a carona. Eles, a casa para dormir.
Ao chegar na fazenda o Grande foi para a espera e eu fiquei conversando com o Valci. Rolou aquele banho de cacimba, o Valci ficou “louco” com o Busão, uns biscoitos que eu tinha no carro, um café que eles fizeram e o Grande sem disparar nenhum tiro, retornou da mata. De mãos vazias.
Comemos algo e a conversa se prolongou pela noite. Entre um cigarrinho de palha e outro, falamos sobre a vida no isolamento, sobre a saudade da família, sobre perder e ganhar coisas na vida, sobre a relação com a mata e com a terra.
Quando nos demos conta já era tarde. Numa noite que começou estrelada e foi tomada pelas nuvens, achei que fosse a hora de dormir. Mas não resisti e resolvi aproveitar o momento para fazer algumas fotos. Fiquei ensaiando à bessa e saiu essa…..
No dia seguinte tomamos um café feito no mesmo fogão a lenha, com leite tirado “na hora”.
Antes mesmo de acabarmos a conversa chegou um rapaz, de moto, perguntando se dava para puxar uma S-10. Era a chance!
Voltamos ao atoleiro e dessa vez deu para filmar. Fiz questão de passar novamente. O vídeo vamos ver numa próxima, mas algumas fotos já posso mostrar…
Depois de brincar no atoleiro e quase tombar o Busão, deixei os dois na fazenda e segui viagem. Minha meta era chegar em Apuí e se tudo corresse bem daria tempo.
Essas duas fotos já apareceram no blog, mas preciso contar a história delas. Nesse ponto, quase no meio do caminho para a balsa do Rio Sucunduri parei para participar da paisagem. Subi no paralama do Busão e fiquei namorando essa tranquilidade.
De repente, como se alguém “assoprasse” no meu ouvido, olhei para a esquerda e vi essa cena…
Nesse momento me dei conta de que havia percorrido mais de 2.000km na Transamazônica e completado mais da metade do caminho, que um sonho estava se realizando e que a hora de voltar para casa chegando. Vários momento passaram na minha cabeça em um lance rápido, como o adiantar de uma fita de video. Sozinho naquele mundão, fui tomado de emoção e saudade.
Cheguei bem em Apuí. Mas deixo para contar os detalhes na próxima.
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Aloha Beatriz, Aline, Maira, Dri Lyra, Vito, Paulinho, Anajô e demais Tripulantes - O trecho chegou ao fim. Conseguimos chegar em Lábrea. Mas a viagem somente acabará quando Busão estiver de volta. Ainda faltam alguns dias para darmos uma pausa no sistema. Enquanto isso continuaremos juntos. Firmes, Fortes e nunca mais os mesmos.
Obrigado pelos votos de boas vindas.
15 de Abril de 2008 às 10:49
admin
Já cheguei em Jacareacanga. O caminho é longo e foi cheio de surpresas e amizades. Imaginem que essa viagem é como ir do Rio a São Paulo pela Dutra, só que de terra.
Já no início do caminho uma cena bem rara por aqui. Mas que acontece! Isso foi logo depois da entrada da Aldeia do Sr. Adriano.
Somente na região do Parque Nacional da Amazônia são mais de 100km só de mata por todos os lados.
E foi lá a primeira supresa. Ao chegar na entrada do Parque me deparei com o Cícero e os piuns. Saltei do carro e já tomei uma “ferrada” no pescoço. Comecei tudo novamente e voltei no carro para pegar o Exposis. Agora sim estava pronto para um papo rápido.
Ele me disse que não poderia autorizar a minha entrada, pois a requisição deveria ter sido feita em Itaituba. Simpático como foi, sutilmente sugeriu que eu fosse à outra sede.
Segui em frente por mais uns oito quilômetros e cheguei na sede. Não é que o Diretor do Parque, o Marcio, estava lá? E não estava só. Junto com ele estava um super pessoal do bem, fazendo um planejamento estratégico. Olha a vista do escritório deles…….
Eles me convidaram para almoçar. Aproveitei a canja e fui dar uma volta pelo Parque. Em uma hora e meia consegui conhecer alguns pontos legais, numa trilha bem sinalizada e repleta de informações.
A vontade de ficar era grande, mas ainda tinha muito chão pela frente. A essa altura já sabia que não chegaria em Jacareacanga e comecei a pesquisar um lugar para dormir. Encontrei o Curuá!
Para mim o Curuá ficava na Serra do Cachimbo, bem longe daqui. Pois é. Mas o Curuá aqui é outro. Curuá é o apelido do Roberto, pai da Vitória e do Bebê (Vitor) e esposo da Mara.
Primeiro passei direto, pois estava procurando um “parador” chamado Rabelo – é um restaurante – e que pela distância não batia com o odômetro.
Como as distâncias aqui são “meio no olho”, nunca batem com precisão por conta do odômetro do carro ou por causa da estimativa das pessoas na estrada resolvi parar, dar meia volta e perguntar (um erro aqui pode significar 50 km e sempre é melhor perguntar).
Aí eu conheci o Curuá, a Vitória e o Bebê. Ficamos conversando e nessa de conversa vai conversa vem perguntei quanto custava um vôo. Ele me disse o preço e continuamos com a conversa. Olhei para o relógio e vi que já tinha passado quase meia hora. Pensei: preciso me adiantar.
Nisso o Curuá falou: - Fica aí! Por que você não dorme por aqui? Tem lugar para a rede, tem chuveiro para o banho…….
Pensei novamente. É mesmo! Por que não!
Antes de eu responder a minha própria pergunta ouvi uma voz dizendo assim: Sobe aí………o resto conto depois. Mexa no mouse e veja com os seus olhos.
Acabei dormindo por lá e além de fazer novos amigos pude acompanhar a saga de quem tem que seguir entre Itaituba e Jacareacanga de lotação. Essa não resistiu e tiveram que consertá-la durante a madrugada. Tudo com o melhor bom humor possível……
No dia seguinte, sob muita chuva cheguei em Jacareacanga.
Depois da exibição para os Mundurucu da aldeia do Sr. Adriano (engraçada essa frase, não!?) fiquei pensando em deixar a tela por aqui para que pudéssem realizar mais sessões. Até mesmo porque Jacareacanga é habitada, em sua maioria, por indígenas e descendentes. Há uma venda - aqui chamada de comercial - que fica lotada de índios assistindo a televisão durante a noite. Mas acabou não rolando.
Daí, na sexta feira santa por volta das onze da manhã eu já estava quase com o pé na estrada para ir para Apuí. Dei uma passada rápida na lan para ver se tinha alguma novidade. A lan estava fechada, assim como todo o comércio por aqui. Nisso conheci o Rogerio, o Sub-oficial da Aeronáutica responsável pela base do CIVAM aqui. Ele também é carioca e ficamos no maior papo. O Rogério é o da esquerda. O da direita é o Plácido.
Quando vi a hora, já estava quase perdendo a balsa há 160 km de Jacare. Como o Rogerio me convidou para conhecer a base, quase vi a balsa indo a pique. Foi no que deu. Todos me receberam como irmãos e acabei ficando.
Pela noite resolvi acompanhar a encenação da via sacra. Foi legal também ter ficado por isso.
O que eu não esperava era ficar mais um dia. Mas fiquei! A caixa de direção voltou a dar problema. A profecia do Augusto de Altamira não se concretizou e ela não aguentou até em casa. Achei um corajoso que topasse desmontá-la novamente. Foi o Zenon.
Desmontamos a caixa e os rolamentos que já estavam ruíns em Altamira, haviam se desintegrado. Viraram pó. Fizemos um armengue para substituí-los e agora está tudo “certo” para seguir viagem. Amanhã quero sair às 5:00 e direto para Apuí.
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Maira e Vito - Aquela é uma área de garimpo sim. Foi desmatada por causa do ouro. Como ele anda meio fraco por lá, estão prestes a abandoná-la.
Beatriz - Missão cumprida realmente. Saudade grande, mas confesso que parte da cabeça ainda está pela transamazônica
11 de Abril de 2008 às 19:02
admin